segunda-feira, 15 de julho de 2013

16 de Julho - Nossa Senhora do Carmo


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)


16 de Julho - Nossa Senhora do Carmo


1) Oração

Venha em nossa ajuda, Senhor,
a poderosa intercessão da bem-aventurada Virgem Maria,
Mãe e Rainha do Carmelo,
para que, protegidos pelo seu auxílio,
cheguemos ao verdadeiro monte da salvação,
Jesus Cristo Nosso Senhor.
Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Jo 19,25-27)
Naquele tempo, 25Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. 27Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.

3) Reflexão   João 19,25-27

Jesus tem em suas mão seu destino
Estamos na metade do capítulo 19 do Evangelho de João, que começa com a flagelação, a coroação com a coroa de espinhos, a apresentação de Jesus por Pilatos para o povo: "Eis o homem" (Jo 19, 5), condenado à morte na cruz, a via sacra e a crucificação. Na narrativa da Paixão segundo João, Jesus tem em suas mãos o controle de sua própria vida e de tudo o que está acontecendo ao seu redor. Por esta razão, encontramos frases como: "Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura" (v. 5) ou as palavras a Pilatos: "Não terias nenhum poder sobre mim, se eu tivesse dado do alto "(v. 11) além disso, o texto apresentado pela liturgia de hoje mostra que Jesus não só tem o controle de tudo o que está acontecendo, mas também o que está acontecendo ao redor. É muito importante o que descreve o evangelista: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse ....” (v. 26). As palavras de Jesus em sua simplicidade são as palavras da revelação, palavras com o que quer expressar a sua vontade: "Eis aí o teu filho" (v. 26), "Eis aí a tua mãe" (v.  27). Estas palavras de Jesus trazer à mente as palavras de Pilatos com as quais apresentou a pessoa de Jesus para o povo: "Eis o homem" (v. 5). Jesus desde seu trono, a cruz, com suas palavras, não só pronuncia a sua vontade, como também o que está verdadeiramente em seu amor por nós e qual é o fruto desse amor. É o Cordeiro de Deus, o pastor que dá a sua vida para reunir a todos em um só rebanho, a Igreja.

Junto à cruz
Nessa passagem encontramos também uma palavra muito importante que se repete duas vezes, quando o evangelista fala da mãe de Jesus e do discípulo amado. O evangelista diz que a mãe de Jesus estava "junto à cruz" (v. 25) e o discípulo amado estava "perto dela" (v. 26). Este importante detalhe tem um significado bíblico muito profundo. Apenas o quarto evangelista diz que a mãe de Jesus estava junto à cruz. Os outros evangelistas não especificam.
Lucas diz-nos que “Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galiléia, se mantinham a distância, olhando essas coisas.” (Lc 23,49).
Mateus escreve: "Grande número de mulheres estava ali, observando de longe. Elas haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, prestando-lhe serviços. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.” (Mt 27,55-56).
Marcos diz que "Estavam ali também algumas mulheres olhando de longe; entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago Menor e de Joset, e Salomé. Quando ele estava na Galiléia, estas o seguiam e lhe prestavam serviços. Estavam ali também muitas outras mulheres que com ele tinham subido a Jerusalém.” (Mc 15,40-41).
Assim, apenas João enfatiza que a mãe de Jesus estava lá, não seguindo-o de longe, mas sim junto à cruz, na companhia de outras mulheres. De pé, como uma mulher forte que continua a crendo, esperando e tendo confiança em Deus, mesmo neste momento tão difícil. A mãe de Jesus está naquele momento importante no qual "tudo está consumado" (v. 30) na missão de Jesus. Além disso, o evangelista ressalta a presença da mãe de Jesus, no início de sua missão, nas bodas de Cana, onde João usa quase a mesma expressão: "Eu estava ali a mãe de Jesus" (Jo 2,1)

A mulher e o discípulo
Nas bodas de Caná e na cruz, Jesus mostra a sua glória e sua mãe está presente de uma forma ativa. Nas bodas de Caná é evidente, de uma forma simbólica, o que aconteceu na cruz. Durante a festa de casamento em Caná, Jesus transformou a água contida em seis potes (Jo 2,6). O número seis simboliza a imperfeição. O número perfeito é o sete. Por esta razão, Jesus responde à sua mãe: "Minha hora ainda não chegou" (Jo 2,04).
A hora em que Jesus renovou tudo, foi a hora da cruz. Os discípulos lhe perguntaram: "Senhor, é este o momento de reconstruir o reino de Israel?" (Atos 1,6). Na cruz, com água e sangue, Jesus faz  nascer a Igreja e, ao mesmo tempo, ela torna-se sua esposa. É o início de um novo tempo. Tanto nas bodas de Caná como na cruz, Jesus não chama sua mãe pelo próprio nome, mas dá-lhe o belo título de "Mulher" (Jo 2,4 e 19,26). Na cruz, Jesus não está falando com sua mãe movido apenas por um sentimento natural, de filho com sua mãe. O título de "Mulher" deixa claro que no momento em que Jesus estava abrindo o coração de sua mãe para a maternidade espiritual de seus discípulos, representados na pessoa do discípulo amado, que está sempre perto de Jesus, o discípulo que na última jantar reclinou a cabeça sobre o peito de Jesus (Jo 13,23-26).
O discípulo que compreendeu o mistério de Jesus e manteve-se fiel ao seu mestre até a crucificação, e, posteriormente, deveria ser o primeiro discípulo a acreditar que Cristo tinha ressuscitado ao ver o túmulo vazio e os panos no chão (João 20,4-8) enquanto Maria de Magdala garante que haviam tirado o corpo de Jesus (Jo 20,2). Portanto, o discípulo é aquele que acredita e mantém-se fiel ao seu Senhor em todas as provações da vida.
O discípulo a quem Jesus amava, não tem nome, porque ele representa a você e a mim, e a todos os que são verdadeiros discípulos. A mulher torna-se mãe do discípulo. A mulher, que nunca é chamada pelo evangelista com o nome próprio, não apenas a mãe de Jesus, mas também a Igreja. O evangelista João gosta de chamar a Igreja de "mulher" ou "senhora". Este título está na segunda Carta de João (2 Jo 1,5) e no livro do Apocalipse: "Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava em dores de parto, atormentada para dar à luz. "(Ap 12,1-2) A mulher, então, é a imagem da Igreja Mãe que está com dores de parto para gerar a Deus novos filhos. A mãe de Jesus é a imagem perfeita da Igreja esposa de Cristo em trabalho de parto para gerar novos filhos ao esposo.

O discípulo recebe em casa a mulher
Se Jesus deixou nas mãos da Mulher (sua Mãe e a Igreja) os seus discípulos representados na pessoa do discípulo amado, também deixou nas mãos dos discípulos a Mulher (sua mãe e da Igreja). O evangelista diz que quando Jesus viu o discípulo a quem ele amava com sua mãe lhe disse: "Eis a tua mãe" (V. 27)
O evangelista continua: “E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa" (v. 27). Isto significa que o discípulo recebeu a mulher como uma valiosa e querida pessoa. Isso novamente nos recorda quando João diz em suas cartas, quando ele chama a si mesmo o presbítero que ama a Senhora eleita (2 João 1), que reza por ela (2 Jo 5) para que a cuide e a defenda contra anticristo, isto é, aqueles que não reconhecem a Cristo e tentam perturbar os filhos da Igreja, os discípulos de Jesus (2 Jo 7,10).
As palavras do versículo 27: “E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa", nos lembra que também aquilo que encontramos no início do Evangelho de Mateus. O evangelista abre sua narrativa com a visão do anjo no sonho de José, o esposo de Maria. Nesta visão, o anjo diz a José: "José, filho de David, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo" (Mt 1,20). Mateus abre o seu Evangelho com o Senhor, confiando Maria e Jesus a José, enquanto João conclui seu relato com Jesus confiando sua Mãe e a Igreja nas mãos do discípulo amado.

4) Para um confronto pessoal
O que é que você mais atenção nesta passagem e na reflexão?
Na cruz, Jesus nos deu tudo: sua vida e sua Mãe. E você, você está preparado para dar algo para o Senhor? Você é capaz de renunciar a suas coisas, a seus gostos, etc. para servir a Deus e ajudar o próximo?
E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa". Você acha que as famílias de hoje seguem o exemplo do discípulo amado de Jesus? O que essas palavras significam para sua vida cristã?

5) Oração final
Cântico evangélico (MAGNIFICAT) Lc 1,46-55
Ant. Maria ouvia, meditava e guardava 
a palavra de Deus no seu coração.
A alegria da alma no Senhor 


– 46 A minha alma engrandece ao Senhor * 47 e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador;

– 48 porque olhou para humildade de sua serva, * 
doravante as gerações hão de chamar-me de bendita. 


– 49 O Poderoso fez em mim maravilhas * 
e Santo é o seu nome!

– 50 Seu amor para sempre se estende * 
sobre aqueles que o temem; 


– 51 manifestou o poder de seu braço, * 
dispersou os soberbos;

– 52 derrubou os poderosos de seus tronos * 
e elevou os humildes;
53 saciou de bens os famintos, * 
despediu os ricos sem nada.

– 54 Acolheu Israel, seu servidor, * 
fiel ao seu amor,

– 55 como havia prometido a nossos pais, * 
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.


– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. * 
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ant. Maria ouvia, meditava e guardava 
a palavra de Deus no seu coração.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

03 de Julho - São Tomé Apóstolo



REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

03 de Julho - São Tomé Apóstolo




1) Oração

Deus todo-poderoso,
Concedei-nos celebrar com alegria a festa do apóstolo São Tomé,
para que sejamos sempre sustentados por sua proteção
e tenhamos a vida pela fé no Cristo
que ele reconheceu como Senhor.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho (Jo 20, 24-29)

24 Tomé, chamado Gêmeo, que era um dos Doze, não estava com eles quando Jesus veio.
25 Os outros discípulos disseram para ele: "Nós vimos o Senhor." Tomé disse: "Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei."
26 Uma semana depois, os discípulos estavam reunidos de novo. Dessa vez, Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou. Ficou no meio deles e disse: "A paz esteja com vocês."
27 Depois disse a Tomé: "Estenda aqui o seu dedo e veja as minhas mãos. Estenda a sua mão e toque o meu lado. Não seja incrédulo, mas tenha fé."
28 Tomé respondeu a Jesus: "Meu Senhor e meu Deus!"
29 Jesus disse: "Você acreditou porque viu? Felizes os que acreditaram sem ter visto."

3) Reflexão
*  Hoje, na festa de São Tomé, o evangelho coloca diante de nós o encontro de Jesus ressuscitado com o apóstolo Tomé que queria ver para poder crer. Foi por isso que muitos o chamam de incrédulo Tomé. Na realidade, a mensagem deste evangelho é bem diferente. É muito mais profunda e atual.
*  João 20,24-25A dúvida de Tomé
Tomé, um dos doze, não estava presente quando Jesus apareceu aos discípulos na semana anterior. Tomé não crê no testemunho dos outros que diziam: “Nós vimos o Senhor”. Ele coloca condições: "Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei". Tomé é exigente. Quer ver para crer! Ele não quer um milagre para poder crer. Não! Ele quer ver os sinais nas mãos, nos pés e no lado. Ele não crê num Jesus glorioso, desligado do Jesus humano que sofreu na cruz. No tempo em que João escreve, fim do primeiro século, havia pessoas que não aceitavam a vinda do Filho de Deus na carne (2Jo 7; 1Jo 4,2-3). Eram os gnósticos que desprezavam a matéria e o corpo. É para criticar os gnósticos que o evangelho de João traz a preocupação de Tome em “ver para crer”. A dúvida de Tomé também deixa transparecer como era difícil crer na ressurreição!
*  João 20,26-27Não seja incrédulo, mas tenha fé
O texto diz “seis dias depois”. Isto significa que Tomé foi capaz de sustentar sua opinião durante uma semana inteira contra o testemunho dos outros apóstolos. Cabeçudo mesmo! Graças a Deus, para nós! Assim, uma semana depois, durante a reunião da comunidade, eles têm novamente uma experiência profunda da presença de Jesus ressuscitado no meio deles. As portas fechadas não podem impedir que ele esteja no meio dos que nele acreditam. Até hoje é assim! Quando estamos reunidos, mesmo com todas as portas fechadas, Jesus está no meio de nós. E até hoje, a primeira palavra de Jesus é e será sempre: "A Paz esteja com vocês!" O que chama a atenção é a bondade de Jesus. Ele não critica nem xinga a incredulidade de Tomé, mas aceita o desafio e diz: "Tomé, vem cá colocar seu dedo nas feridas!". Jesus confirma a convicção de Tomé e das comunidades, a saber: o ressuscitado glorioso é o crucificado torturado! O Jesus que está na comunidade, não é um Jesus glorioso que não teria mais nada em comum com a nossa vida de gente. Mas é o mesmo Jesus que viveu nesta terra e ele traz no corpo as marcas da sua paixão. As marcas da paixão estão hoje no sofrimento do povo, na fome, nas marcas de tortura, de injustiça. É nas pessoas que reagem, lutam pela vida e não se deixam abater, que Jesus ressuscita e se faz presente no meio de nós. É neste Cristo que Tomé acredita, e nós também!
*  João 20,28-29Felizes os que não viram e creram
Com ele digamos: "Meu Senhor e meu Deus!"  Esta entrega de Tomé é a atitude ideal da fé. E Jesus completa com a mensagem final: "Você acreditou porque viu! Felizes os que não viram e no entanto creram!" Com esta frase, Jesus declara felizes a todos nós que estamos nesta mesma condição: sem termos visto acreditamos que o Jesus que está no nosso meio, é o mesmo que morreu crucificado!
O envio: "Como o Pai me enviou, eu envio vocês!" É deste Jesus, ao mesmo tempo crucificado e ressuscitado, que recebemos a missão, a mesma que ele recebeu do Pai (Jo 20,21). Aqui, na segunda aparição, Jesus repete: "A paz esteja com vocês!" Esta repetição acentua a importância da Paz. Construir a paz faz parte da missão. Paz, significa muito mais do que só ausência de guerra. Significa construir uma convivência humana harmoniosa, em que as pessoas possam ser elas mesmas, tendo todas o necessário para viver, convivendo felizes e em paz. Esta foi a missão de Jesus, e é também a nossa missão. Jesus soprou e disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22). É só mesmo com a ajuda do Espírito de Jesus que seremos capazes de realizar a missão que ele nos deu. Em seguida, Jesus comunicou o poder de perdoar os pecados: "Aqueles a quem vocês perdoarem os pecados serão perdoados e aqueles a quem retiverdes serão retidos!". O ponto central da missão de paz está na reconciliação, na tentativa de superar as barreiras que nos separam. Este poder de reconciliar e de perdoar é dado à comunidade (Jo 20,23; Mt 18,18). No evangelho de Mateus é dado também a Pedro (Mt 16,19). Aqui se percebe que uma comunidade sem perdão nem reconciliação já não é comunidade cristã. Numa palavra, nossa missão é criar comunidade a exemplo da comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

4) Para um confronto pessoal
1) Na sociedade de hoje, as divergências e tensões de raça, classe, religião, gênero e cultura são enormes e crescem cada dia. Como realizar hoje a missão da reconciliação?
2) Na sua família e na sua comunidade existe alguma semente de mostarda que aponta para uma sociedade reconciliada?

5) Oração final

Povos todos, louvai o Senhor,
nações todas, dai-lhe glória;
porque forte é seu amor para conosco
e a fidelidade do Senhor dura para sempre.
(Sl 116,1-2)


segunda-feira, 8 de abril de 2013

31 de Maio - Visitação de Nossa Senhora


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

31 de Maio - Visitação de Nossa Senhora



1) Oração

Ó Deus todo-poderoso, que inspirastes à Virgem maria sua visita a Isabel, levando no seio o vosso Filho, fazei-nos dóceis ao Espírito Santo, para cantar com ela o vosso louvor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho   (Lucas 1, 39-56)

39Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? 44Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.45Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas! 46E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,47meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, 49porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. 50Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. 51Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. 52Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. 53Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
56Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.

3) Reflexão   Lucas 1,39-56
*  Hoje, festa da visitação de Nossa Senhora, o evangelho fala da visita de Maria à sua prima Isabel. Quando Lucas fala de Maria, ele pensa nas comunidades do seu tempo que viviam espalhadas pelas cidades do império romano e lhes oferece em Maria o modelo de como devem relacionar-se com a Palavra de Deus. Certa vez, ao ouvir Jesus falar de Deus, uma mulher do povo exclamou: "Feliz o seio que te carregou, e os seios que te amamentaram". Elogiou a mãe de Jesus. Imediatamente, Jesus respondeu: "Mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática" (Lc 11,27-28). Maria é o modelo da comunidade fiel que sabe ouvir e praticar a Palavra de Deus. Descrevendo a visita de Maria a Isabel, ele ensina como as comunidades devem fazer para transformar a visita de Deus em serviço aos irmãos e às irmãs.
*  O episódio da visita de Maria a Isabel mostra ainda um outro aspecto bem próprio de Lucas. Todas as palavras e atitudes, sobretudo o cântico de Maria, formam uma grande celebração de louvor. Parece a descrição de uma solene liturgia. Assim, Lucas evoca o ambiente litúrgico e celebrativo, em que Jesus foi formado e em que as comunidades devem viver a sua fé.
*  Lucas 1,39-40: Maria sai para visitar Isabel
Lucas acentua a prontidão de Maria em atender às exigências da Palavra de Deus. O anjo lhe falou da gravidez de Isabel e, imediatamente, Maria se levanta para verificar o que o anjo lhe tinha anunciado, e sai de casa para ir ajudar a uma pessoa necessitada. De Nazaré até as montanhas de Judá são mais de 100 quilômetros! Não havia ônibus nem trem.
*  Lucas 1,41-44: Saudação de Isabel
Isabel representa o Antigo Testamento que termina. Maria, o Novo que começa. O Antigo Testamento acolhe o Novo com gratidão e confiança, reconhecendo nele o dom gratuito de Deus que vem realizar e completar toda a expectativa do povo. No encontro das duas mulheres manifesta-se o dom do Espírito que faz a criança estremecer de alegria no seio de Isabel. A Boa Nova de Deus revela a sua presença numa das coisas mais comuns da vida humana: duas donas de casa se visitando para se ajudar. Visita, alegria, gravidez, criança, ajuda mútua, casa, família: é nisto que Lucas quer que as comunidades (e nós todos) percebamos e descubramos a presença do Reino. As palavras de Isabel, até hoje, fazem parte do salmo mais conhecido e mais rezado da América Latina, que é a Ave Maria.
*  Lucas 1,45: O elogio que Isabel fez a Maria
"Feliz aquela que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor vai acontecer". É o recado de Lucas às Comunidades: crer na Palavra de Deus, pois ela tem força para realizar aquilo que ela nos diz. É Palavra criadora. Gera vida nova no seio de uma virgem, no seio do povo pobre e abandonado que a acolhe com fé.
*  Lucas 1,46-56: O cântico de Maria
Muito provavelmente, este cântico já era conhecido e cantado nas Comunidades. Ele ensina como se deve rezar e cantar. Lucas 1,46-50: Maria começa proclamando a mudança que aconteceu na sua própria vida sob o olhar amoroso de Deus, cheio de misericórdia. Por isso, ela canta feliz: "Exulto de alegria em Deus, meu Salvador".  Lucas 1,51-53: Em seguida, canta a fidelidade de Deus para com seu povo e proclama a mudança que o braço de Javé estava realizando a favor dos pobres e famintos. A expressão "braço de Deus" lembra a libertação do Êxodo. É esta força salvadora de Deus que faz acontecer a mudança: dispersa os orgulhosos (1,51), destrona os poderosos e eleva os humildes (1,52), manda os ricos embora sem nada e aos famintos enche de bens (1,53).  Lucas 1,54-55: No fim, ela lembra que tudo isto é expressão da misericórdia de Deus para com o seu povo e expressão da sua fidelidade às promessas feitas à Abraão. A Boa Nova veio não como recompensa pela observância da Lei, mas como expressão da bondade e da fidelidade de Deus às promessas. É o que Paulo ensinava nas cartas aos Gálatas e aos Romanos. 
O segundo livro de Samuel conta a história da Arca da Aliança. Davi quis colocá-la em sua casa, mas ficou com medo e disse. "Como virá a Arca de Javé para ficar na minha casa?" (2 Sam 6,9) Davi mandou que a Arca fosse para a casa de Obed-Edom. "E a Arca de Javé ficou três meses na casa de Obed-Edom, e Javé abençoou a Obed-Edom e a toda a sua família" (2 Sam 6,11). Maria, grávida de Jesus, é como a Arca da Aliança que, no Antigo Testamento, visitava as casas das pessoas trazendo benefícios. Ela vai para a casa de Isabel e fica lá três meses. E enquanto está na casa de Isabel, ela e toda a sua família é abençoada por Deus. A comunidade deve ser como a Nova Arca da Aliança. Visitando a casa das pessoas, deve trazer benefícios e graça de Deus para o povo.

4) Para um confronto pessoal
1) O que nos impede de descobrir e de viver a alegria da presença de Deus em nossa vida?
2) Onde e como a alegria da presença de Deus está acontecendo hoje na minha vida e na vida da comunidade?

5) Oração final

Minha alma, bendize o Senhor
e tudo o que há em mim, o seu santo nome!
Minha alma, bendize o Senhor,
e não esqueças nenhum de seus benefícios. (Sl 102, 1-2)







14 de Maio - São Matias Apóstolo



REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

14 de Maio - São Matias Apóstolo



1) Oração

Ó Deus, que associastes são Matias ao colégio apostólico, concedei, por sua intercessão, que, fruindo da alegria do vosso amor, mereçamos ser cotados entre os eleitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho   (João 15, 9-17)
Naquele tempo disse Jesus: 9Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. 11Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. 12Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. 13Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. 14Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda.17O que vos mando é que vos ameis uns aos outros.

3) Reflexão   Jo 15,9-17
*  Hoje é a festa do apóstolo Matias. O Evangelho João 15,9-17 já foi meditado na sexta-feira da 5ª Semana da Páscoa. Vamos retomar alguns pontos que já foram vistos naquele dia.
*  João 15,9-11: Permanecer no amor, fonte da perfeita alegria. 
Jesus permanece no amor do Pai observando os mandamentos que dele recebeu. Nós permanecemos no amor de Jesus observando os mandamentos que ele nos deixou. E devemos observá-los com a mesma medida com que ele observou os mandamentos do Pai: “Se vocês obedecem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu obedeci aos mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor”.  É nesta união de amor do Pai e de Jesus que está a fonte da verdadeira alegria: “Eu disse isso a vocês para que minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa”.
*  João 15,12-13: Amar os irmãos como ele nos amou.
O mandamento de Jesus é um só: "amar-nos uns aos outros como ele nos amou!" (Jo 15,12). Jesus ultrapassa o Antigo Testamento. O critério antigo era: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 18,19). O novo critério é: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Aqui ele disse aquela frase que cantamos até hoje: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão!"
*  João 15,14-15 Amigos e não empregados
"Vocês serão meus amigos se praticarem o que eu mando", a saber, a prática do amor até à doação total de si!  Em seguida, Jesus coloca um ideal altíssimo para a vida dos discípulos e das discípulas. Eles diz: "Não chamo vocês de empregados mas de amigos. Pois o empregado não sabe o que faz o seu patrão. Chamo vocês de amigos, porque tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês!"  Jesus já não tinha mais segredos para os seus discípulos e suas discípulas. Tudo que ouviu do Pai contou para nós! Este é o ideal bonito da vida em comunidade: chegarmos a uma total transparência, a ponto de não haver mais segredos entre nós e de podermos confiar totalmente um no outro, de podermos partilhar a experiência que temos de Deus e da vida e, assim, enriquecer-nos mutuamente. Os primeiros cristãos conseguiram realizar este ideal durante alguns anos. Eles "eram um só coração e uma só alma" (At 4,32; 1,14; 2,42.46).  
*  João 15,16-17: Foi Jesus que nos escolheu  
Não fomos nós que escolhemos Jesus. Foi ele que nos encontrou, nos chamou e nos deu a missão de ir e dar fruto, fruto que permaneça. Nós precisamos dele, mas ele também quer precisar de nós e do nosso trabalho para poder continuar fazendo hoje o que fez para o povo na Galiléia. A última recomendação: "Isto vos mando: amai-vos uns aos outros!"

4) Para um confronto pessoal
1) Amar o próximo como Jesus nos amou. Este é o ideal de cada cristão. Como isto está sendo vivido por mim?
2) Tudo que ouvi do meu Pai contei para vocês. Este é o ideal da comunidade: chegar a uma total transparência. Como isto está sendo vivido na minha comunidade?

5) Oração final
Louvai, ó servos do Senhor,
louvai o nome do Senhor.
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e para sempre.




3 de Maio - São Felipe e São Tiago Apóstolos



REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

3 de Maio - São Felipe e São Tiago Apóstolos

1) Oração


Ó Deus, vós nos alegrais cada ano com a festa dos apóstolos são Felipe e são Tiago. Concedei-nos, por suas preces, participar de tal modo da paixão e ressurreição do vosso Filho que vejamos eternamente a vossa faze. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho segundo João (Jo 14,6-14)

Naquele tempo, Jesus disse a Tomé: 6Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. 7Se me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o conheceis, pois o tendes visto. 8Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta. 9Respondeu Jesus: Há tanto tempo que estou convosco e não me conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai... 10Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras. 11Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. 13E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei.

3) Reflexão  - Jo 14,6-14

*  João 14,6: Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Tomé tinha feito a pergunta: "Senhor, não sabemos para onde vai. Como podemos conhecer o caminho?" (Jo 14,5). Jesus responde: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida! Ninguém vai ao Pai senão por mim”. Três palavras importantes. Sem caminho, não se anda. Sem verdade, não se acerta. Sem vida, só há morte! Jesus explica o sentido. Ele é o caminho, porque "ninguém vem ao Pai senão por mim!" Pois, ele é a porta, por onde as ovelhas entram e saem (Jo 10,9). Jesus é a verdade, porque olhando para ele, estamos vendo a imagem do Pai. "Se vocês me conhecem, conhecerão também o Pai!" Jesus é a vida, porque caminhando como Jesus caminhou, estaremos unidos ao Pai e teremos a vida em nós!
*  João 14,7: Conhecer Jesus é conhecer o Pai. Jesus acrescentou: “Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram". Jesus sempre fala do Pai, pois o Pai era a vida dele e transparecia em tudo que ele, Jesus, falava e fazia. Esta referência constante ao Pai provoca a pergunta de Filipe, cuja festa hoje celebramos.
*  João 14,8-11: Filipe pergunta: "Mostra-nos o Pai, e basta!"  Ver e experimentar o Pai era o desejo dos discípulos e das discípulas; era o desejo de muitas pessoas nas comunidades do Discípulo Amado da Ásia Menor e, até hoje, continua sendo o desejo de muitos de nós. Como experimentar a presença do Pai de que Jesus fala tanto? A resposta de Jesus é muito bonita e vale até hoje: "Filipe, tanto tempo estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece! Quem me vê, vê o Pai!" A gente não deve pensar que Deus está longe de nós, como alguém distante e desconhecido. Quem quiser saber como é e quem é Deus Pai, basta olhar para Jesus. Ele o revelou nas palavras e gestos da sua vida! "O Pai está em mim e eu estou no Pai!" Através da sua obediência, Jesus está totalmente identificado com o Pai. Ele a cada momento fazia aquilo que o Pai mostrava que era para fazer (Jo 5,30; 8,28-29.38). Por isso, em Jesus tudo é revelação do Pai! E os sinais ou as obras de Jesus são as obras do Pai! Como diz o povo: "O filho é a cara do pai!" Em Jesus e por Jesus, Deus está no meio de nós.
*  João 14,12-14: Promessa de Jesus.  Jesus faz uma promessa para dizer que a intimidade dele com o Pai não é privilégio só dele, mas é possível para todos e todas que crêem nele: Eu garanto a vocês: quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai. O que vocês pedirem em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se vocês pedirem qualquer coisa em meu nome, eu o farei. Nós também, através de Jesus, podemos chegar a fazer coisas bonitas para os outros do jeito que Jesus fazia para o povo do seu tempo. Ele vai interceder por nós. Tudo que a gente pedir a ele, ele vai pedir ao Pai e vai conseguir, contanto que seja para servir. Jesus é o nosso defensor. Ele vai embora, mas não nos deixa sem defesa. Ele promete que vai pedir ao Pai para Ele mandar um outro defensor ou consolador, o Espírito Santo (Jo 14,15-17). Jesus chegou a dizer que ele precisa ir embora, pois, do contrário, o Espírito Santo não poderá vir (Jo 16,7). É o Espírito Santo que realizará as coisas de Jesus em nós, desde que peçamos em nome de Jesus e observemos o grande mandamento da prática do amor.

4) Para confronto pessoal

1) Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Sem caminho, sem verdade e sem vida não se vive. Procure deixar isto penetrar na sua consciência.
2) Duas perguntas importantes: Quem é Jesus para mim? Quem sou eu para Jesus?

5) Oração final

Narram os céus a glória de Deus,
e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.
O dia ao outro transmite essa mensagem,
e uma noite à outra a repete (Sl 18).