sábado, 13 de setembro de 2014

9 de Agosto - Santa Teresa Benedita da Cruz


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

9 de Agosto - Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)


Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)


1) Oração

Senhor Deus de nossos pais, fazei abundar em nós a sabedoria da Cruz, com a qual, admiravelmente, enriquecestes Santa Teresa Benedita, na hora do martírio. Concedei-nos, por sua  intercessão, que constantemente vos procuremos, Suma verdade, e guardemos fielmente, até a morte, a eterna aliança de amor, selada no sangue de vosso Filho, para a salvação de todos os homens. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 25, 1-13)
 Naquele tempo, disse Jesus, a seus discípulos, esta parábola: 25,1'O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6No meio da noite, ouviu-se um grito: `O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!' 7Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8As imprevidentes disseram às previdentes: `Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando.' 9As previdentes responderam: `De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores'. 10Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: `Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!' 12Ele, porém, respondeu: `Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!' 13Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora. Palavra da Salvação.

(Outra tradução – usada por Frei Carlos para os comentários)
1 "Naquele dia, o Reino do Céu será como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo.
2 Cinco delas não tinham juízo, e as outras cinco eram prudentes.
3 Aquelas sem juízo pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo.
4 As prudentes, porém, levaram vasilhas com óleo, junto com as lâmpadas.
5 O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormiram.
6 No meio da noite, ouviu-se um grito: 'O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro'.
7 Então as dez virgens se levantaram, e prepararam as lâmpadas.
8 Aquelas que eram sem juízo disseram às prudentes: 'Dêem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando'.
9 As prudentes responderam: 'De modo nenhum, porque o óleo pode faltar para nós e para vocês. É melhor vocês irem aos vendedores e comprar'. 
10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou.
11 Por fim, chegaram também as outras virgens, e disseram: 'Senhor, Senhor, abre a porta para nós'. 
12 Ele, porém, respondeu: 'Eu garanto a vocês que não as conheço'.
13 Portanto, fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora.")

3) Reflexão   Mateus 25,1-13
*  Hoje é a festa de Santa Edith Stein que no Carmelo assumiu o nome de Tereza Benedita da Cruz. Por isso, o evangelho de hoje traz a parábola das dez virgens que deviam dar as boas vindas ao noivo quando chegasse para a festa do casamento.
Mateus 25,1ª: O começo: “Naquele dia”
A parábola começa com estas duas palavras: “Naquele dia”. Trata-se do dia da vinda do Filho do Homem (cf Mt 24,37). Ninguém sabe quando virá esse dia, “nem os anjos do céu, nem mesmo o filho, mas somente o Pai” (Mt 24, 36). Não adianta os adivinhos quererem fazer cálculos. O Filho do Homem virá de surpresa, quando a gente menos espera (Mt 24,44). Pode ser hoje, pode ser amanhã. Por isso, o recado final da parábola das dez virgens é “Vigiai!’ As dez moças devem estar preparadas para qualquer eventualidade. Quando a polícia nazista bateu na porta do mosteiro das irmãs Carmelitas em Echt na província de Limbúrgia nos Países Baixos, Edith Stein, a irmã Tereza Benedita da Cruz, estava preparada. Assumiu a Cruz e foi eles para o martírio no campo de extermínio por amor a Deus e ao seu povo. Ela era uma das virgens prudentes da parábola.
Mateus 25,1b-4: As dez virgens escaladas para aguardar o noivo
A parábola começa assim: O Reino do Céu é como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo”.Trata-se das moças que deviam acompanhar o noivo para a festa do casamento. Para isto, elas deviam levar consigo as lâmpadas, sejam para iluminar o caminho, seja para abrilhantar a festa. Cinco delas eram previdentes e cinco não tinham juízo. Esta diferença transparece na maneira de elas se prepararem para a função que receberam. Junto com as lâmpadas acesas, as previdentes levaram consigo também uma vasilha com óleo de reserva. Elas se preparavam para qualquer eventualidade. As sem juízo só levaram as lâmpadas e não pensaram em levar consigo um pouco de óleo de reserva.
Mateus 25,5-7: A demora não prevista da chegada do noivo
O noivo estava demorando. Não havia hora marcada para ele chegar. Enquanto esperam, as dez moças são vencidas pelo sono. Enquanto isso, as lâmpadas acesas continuam gastando o óleo e vão se apagando aos poucos. De repente, no meio da noite, se ouve o grito: O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro”.  Todas elas despertam e começam a preparar as lâmpadas que já estavam quase no fim. Deviam colocar óleo de reserva para evitar que as lâmpadas se apagassem.
Mateus 25,8-9: As reações diferentes diante da chegada atrasada do noivo
É só agora que as sem juízo se deram conta de que esqueceram de levar consigo óleo de reserva. Foram pedir às prudentes: “Dêem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando”.  As prudentes não puderam atender ao pedido delas, pois naquela hora o que importava não era as prudentes partilharem o seu óleo com as outras, mas sim elas estarem prontas para acompanhar o noivo até o lugar da festa. Por isso aconselharam: É melhor vocês irem aos vendedores e comprar.
Mateus 25,10-12: O destino das moças prudentes e das sem juízo
As sem juízo seguiram o conselho das prudentes e foram comprar óleo. Foi nesta breve ausência da compra que o noivo chegou e que as prudentes puderam acompanha-lo e entrar com ele para a festa do casamento. E a porta se fechou atrás delas. Quando as outras chegaram, bateram na porta e pediram: “Senhor, Senhor, abre a porta para nós!” E receberam a resposta: “Eu garanto a vocês que não as conheço”
Mateus 25,13: A recomendação final de Jesus para todos nós
A história desta parábola é muito simples e a lição é evidente: “Fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora”. Moral da história: não seja superficial, olhe para além do momento presente, procure descobrir o apelo de Deus até nas mínimas coisas da vida, até mesmo no óleo que pode falta na lamparina.’

4) Para um confronto pessoal
1) Já aconteceu você esquecer de pensar no óleo de reserva para a sua lamparina?
2) Conhece a vida de Santa Edith Stein, Teresa Benedita da Cruz?

5) Oração final

Bendirei o SENHOR em todo tempo,
seu louvor estará sempre na minha boca.
Eu me glorio no SENHOR,
ouçam os humildes e se alegrem. (Sl 33, 2-3)




14 de Setembro - EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Pe.  Tomaz Hughes, SVD

14 de Setembro - EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


Exaltação da Santa Cruz


1) Oração



Ó Deus, que, para salvar a todos, dispusestes que o vosso Filho morresse na cruz, a nós, que conhecemos na terra esse mistério, dai-nos colher no céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Evangelho - Jo 3,13-17

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 3,13"Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado,  15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele". Palavra da Salvação.

COMENTÁRIO


Essa festa litúrgica tem destaque maior nas Igrejas do Oriente, onde é comparada com a Festa de Páscoa. A sua celebração tem as suas origens ligadas à dedicação das basílicas constantinianas construídas nos lugares tradicionalmente identificados com Calvário e o Santo Sepulcro.
O título “Exaltação da Santa Cruz” chama a atenção, pois destaca o grande paradoxo da nossa fé - foi exatamente através da Cruz, o mais terrível entre os suplícios, que veio a salvação. Humanamente falando, a morte de Jesus na cruz significava o fracasso total da sua vida e missão, mas, de fato, escondia a vitória de Deus sobre o mal, da vida sobre a morte, da graça sobre o pecado - uma vitória que se manifestaria ao terceiro dia, na Ressurreição. No mistério pascal da vida-morte-ressurreição de Jesus verifica-se o que proclama Paulo na Primeira Carta aos Coríntios: “Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante.” (1Cor 1, 27s).
Torna-se muito importante resgatar uma sadia teologia e espiritualidade da Cruz. De um lado temos que superar uma pregação errada que identificava a Cruz com qualquer sofrimento, como se o sofrimento em si fosse um valor positivo. Quantas pessoas sofreram injustiças a vida toda, aguentando situações quase insuportáveis, por causa de tal pregação que levava à passividade diante das injustiças e opressões. No fundo, faziam de Deus um sádico! Do outro lado, na sociedade de hoje, a Cruz não está muito popular, pois o sacrifício, a autodoação em favor de outros, está na contramão da sociedade hedonista e consumista. Até dentro da Igreja muitas vezes há uma busca da Ressurreição e vitória, sem que se mencione que o triunfo de Jesus veio através de uma vida de doação que o levou à cruz - e como consequência dessa coerência, à Ressurreição.
A festa de hoje celebra a Cruz, não o sofrimento. Jesus não nos salvou porque sofreu três horas na cruz - ele nos salvou porque a sua vida foi totalmente fiel à vontade do Pai. Por causa dessa fidelidade, as suas opções concretas o colocaram em conflito com as estruturas de dominação sócio-político-religiosas, o que causou o seu assassinato judicial. A morte de Jesus foi muito mais do que uma tentativa de eliminar alguém que incomodasse! Era tentativa de aniquilar o seu movimento, a sua pregação, a visão de Deus e do projeto de Deus que Ele ensinava. A Cruz então se tornava o símbolo de doação total através de uma vida de fidelidade absoluta ao projeto do Pai. Era o último passo de coerência, consequência lógica da fidelidade à vontade de Deus.
Assim, Jesus deixa bem claro nas páginas dos Evangelhos que a Cruz é a característica do discípulo/a. “Se alguém quer me seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga.” (Mc 8, 24). Jesus não nos convida a buscar o sofrimento, mas a carregar a cruz - consequência de uma religião que é vivencial, que acarreta ações e atitudes coerentes com o Deus em que acreditamos, e que traz em seu bojo as sementes de conflito com todo poder opressor, pois “os meus projetos não são os projetos de vocês, e os caminhos de vocês não são os meus caminhos” (Is 55, 8).
Paulo descobriu que pregar Cristo sem a Cruz era esvaziar a evangelização. Assim declara à comunidade de Corinto: “Entre vocês eu não quis saber outra coisa a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado.”(1Cor 2, 2). A Cruz de Cristo é inseparável da sua vida, pois é a consequência dela. Mas, a Cruz também não se separa da Ressurreição, pois ela é o resultado de tal coerência e fidelidade. A festa de hoje nos desafia para que respondamos ao convite de Jesus para carregar a nossa cruz numa vida de discipulado e missionariedade, continuando a sua missão ao mundo. Pois, como diz o nosso texto hoje, “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele” (Jo 3, 17)

 Salmo - Sl 77(78),1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)


R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!


77,1Escuta, ó meu povo, a minha Lei,*
  ouve atento as palavras que eu te digo;

2abrirei a minha boca em parábolas,*
  os mistérios do passado lembrarei.

R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!


34Quando os feria, eles então o procuravam,*
   convertiam-se correndo para ele;

35recordavam que o Senhor é sua rocha*
   e que Deus, seu Redentor, é o Deus Altíssimo.

R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!


36Mas apenas o honravam com seus lábios*
   e mentiam ao Senhor com suas línguas;

37seus corações enganadores eram falsos*
   e, infiéis, eles rompiam a Aliança.

R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!


38Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo,*
   não os matava e perdoava seu pecado;
   quantas vezes dominou a sua ira*
   e não deu largas à vazão de seu furo.

R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!





domingo, 7 de setembro de 2014

08 de Setembro - NATIVIDADE DE NOSSA SENHORA


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

08 de Setembro - Natividade  de Nossa Senhora


Natividade de Nossa Senhora


1) Oração



Abri, ó Deus, para os vossos servos e servas os tesouros da vossa graça: e assim como a maternidade de Maria foi a aurora da salvação, a festa do seu nascimento aumente em nós a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 1,1-16.18-23)

1Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. Farés gerou Esron. Esron gerou Arão. 4Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou Booz, de Raab. Booz gerou Obed, de Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi. 6O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias. 7Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa. 8Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias. 9Ozias gerou Joatão. Joatão gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias. 10Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amon. Amon gerou Josias. 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no cativeiro de Babilônia. 12E, depois do cativeiro de Babilônia, Jeconias gerou Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel. 13Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliacim. Eliacim gerou Azor. 14Azor gerou Sadoc. Sadoc gerou Aquim. Aquim gerou Eliud. 15Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. 16Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. 18Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. 19José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. 20Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. 22Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: 23Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.

3) Reflexão   Mateus 1,1-16.18-23
*  Hoje, 8 de setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora, o evangelho traz a genealogia ou a carteira de identidade de Jesus. Por meio de uma lista de nomes dos antepassados, o evangelista conta para as comunidades quem é Jesus e como Deus agiu de modo surpreendente para cumprir nele a sua promessa. As nossas carteiras de identidade têm o nosso nome e o nome dos nossos pais. Algumas pessoas, para dizer quem são, lembram também os nomes dos avôs e avós. Outras, têm vergonha de alguns antepassados da sua família, e se escondem atrás de aparências que enganam. A carteira de identidade de Jesus tem muitos nomes. Na lista destes nomes há uma grande novidade. Naquele tempo, as genealogias traziam somente os nomes dos homens. Por isso, surpreende o fato de Mateus colocar cinco mulheres entre os antepassados de Jesus: Tamar, Raab, Rute, a mulher de Urias e Maria. Por que ele escolheu precisamente estas cinco mulheres, e não outras? Esta é a pergunta que o evangelho de Mateus deixa na nossa cabeça.
Mateus 1,1-17: A longa lista dos nomes – o começo e o fim da genealogia
No começo e no final da genealogia, Mateus deixa claro qual é a identidade de Jesus: ele é o Messias, filho de Davi e filho de Abraão. Como descendente de Davi, Jesus é a resposta de Deus às expectativas do povo judeu (2 Sm 7,12-16). Como descendente de Abraão, ele é uma fonte de bênção e de esperança para todas as nações da terra (Gn 12,13). Assim, tanto os judeus como os pagãos que faziam parte das comunidades da Síria e da Palestina na época de Mateus, ambos podiam ver suas esperanças realizadas em Jesus.
Ao elaborar a lista dos antepassados de Jesus, Mateus adotou um esquema de 3 x 14 gerações (Mt 1,17). O número 3 é o número da divindade. O número 14 é duas vezes 7, que é o número da perfeição. Naquele tempo, era comum interpretar ou calcular a ação de Deus através de números e datas. Por meio destes cálculos simbólicos, Mateus revela a presença de Deus ao longo das gerações e exprime a convicção das comunidades de que Jesus apareceu no tempo estabelecido por Deus. Com a sua chegada a história alcançou o seu pleno cumprimento.
*  A mensagem das cinco mulheres citadas na genealogia
Jesus é a resposta de Deus às expectativas tanto de judeus como de pagãos, sim, mas o é de uma forma totalmente surpreendente. Nas histórias das quatro mulheres do AT, citadas na genealogia, existe algo de anormal. As quatro eram estrangeiras, conceberam seus filhos fora dos padrões normais do comportamento da época e não satisfaziam às exigências das leis da pureza do tempo de Jesus. Tamar, uma cananéia, viúva, se vestiu de prostituta para obrigar Judá a ser fiel à lei e dar-lhe um filho (Gn 38,1-30).  Raab , uma cananéia, prostituta de Jericó, fez aliança com os israelitas. Ajudou-os a entrar na Terra Prometida e professou a fé no Deus libertador do Êxodo (Js 2,1-21).  Betsabea, uma hitita, mulher de Urias, foi seduzida, violentada e engravidada pelo rei Davi, que, além disso, mandou matar o marido dela (2 Sm 11,1-27).  Rute , uma moabita, viúva pobre, optou para ficar com Noemi e aderiu ao Povo de Deus (Rt 1,16-18). Aconselhada pela sogra Noemi, Rute imitou Tamar e passou a noite na eira, junto com  Booz, forçando-o a observar a lei e dar-lhe um filho. Da relação entre os dois nasceu Obed, o avô do rei Davi (Rt 3,1-15;4,13-17). Estas quatro mulheres questionam os padrões de comportamento impostos pela sociedade patriarcal. Mesmo assim, suas iniciativas pouco convencionais deram continuidade à linhagem de Jesus e trouxeram a salvação de Deus para todo o povo. Foi através delas que Deus realizou seu plano e enviou o Messias prometido. Realmente, o jeito de agir de Deus surpreende e faz pensar! No fim, o leitor ou a leitora fica com a pergunta: “E Maria? Existe nela também alguma irregularidade nela? Qual?” A resposta é dada na história de São José que segue no texto (Mt 1,18-23).
Mateus 1,18-23: São José era justo
A irregularidade em Maria é que ela ficou grávida antes de conviver com José, seu prometido esposo, que era justo. Jesus disse: “Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos fariseus e escribas, não vão poder entrar no Reino dos céus”. Se José tivesse sido justo conforme a justiça dos fariseus, ele deveria ter denunciado Maria e ela teria sido apedrejada. Jesus teria morrido. Graças à verdadeira justiça de José, Jesus pôde nascer.

4) Para um confronto pessoal
1. Quando me apresento aos outros, o que digo de mim mesmo e da minha família?
2. Se o evangelista coloca apenas estas cinco mulheres ao lado de mais de quarenta homens, ele, sem dúvida, quer comunicar uma mensagem. Qual é esta mensagem? O que tudo isto nos diz sobre a identidade de Jesus? E o que diz sobre nós mesmos?

5) Oração final

Que todas as tuas obras te louvem, Senhor,
e te bendigam os teus fiéis.
Proclamem a glória do teu reino
e falem do teu poder. (Sl 144, 10-11)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

06 de Agosto - Transfiguração do Senhor - Ano A

REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

06 de Agosto - Transfiguração do Senhor - Ano A


Transfiguração do Senhor


1) Oração


Ó Deus, que na gloriosa Transfiguração de vosso Filho confirmastes os mistérios da pelo testemunho de Moisés e Elias, e manifestastes de modo admirável a nossa glória de filhos adotivos, concedei aos vossos servos e servas ouvir a voz do vosso Filho amado, e compartilhar da sua herança. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 17, 1-9)
1Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. 2Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. 3E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele. 4Pedro tomou então a palavra e disse-lhe: Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias. 5Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; ouvi-o. 6Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo. 7Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: Levantai-vos e não temais. 8Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. 9E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.

3) Reflexão  Mateus 17, 1-9
*  Hoje é a festa da Transfiguração de Jesus. A Transfiguração acontece depois do primeiro anúncio da Morte de Jesus (Mt 16,21). Este anúncio transtornou a cabeça dos discípulos, sobretudo de Pedro (Mt 16,22-23). Eles tinham os pés no meio dos pobres, mas a cabeça estava perdida na ideologia dominante da época. Eles esperavam um messias glorioso. A cruz era um impedimento para crer em Jesus. A Transfiguração, onde Jesus aparece glorioso no alto da montanha, era uma ajuda para eles poderem superar o trauma da Cruz e descobrir em Jesus o verdadeiro Messias. Mesmo assim, muitos anos depois, quando a Boa Nova já estava espalhada pela Ásia Menor e pela Grécia, a Cruz continuava sendo um grande impedimento para os judeus e para os pagãos aceitarem Jesus como Messias. “A cruz é uma loucura e um escândalo!”, assim diziam (1Cor 1,23). Um dos maiores esforços dos primeiros cristãos consistia em ajudar as pessoas a perceber que a cruz não era escândalo nem loucura, mas sim a expressão mais bonita e mais forte do poder e da sabedoria de Deus (1Cor 1,22-31). O evangelho de hoje dá a sua contribuição neste esforço. Ele mostra que Jesus veio realizar as profecias e que a Cruz era o caminho para a Glória. Não há outro caminho.
*  Mateus 17,1-3Jesus muda de aspecto.
Jesus sobe a uma montanha alta. Lucas acrescenta que ele subiu para rezar (Lc 9,28). Lá em cima, Jesus aparece na glória diante de Pedro, Tiago e João. Junto com Jesus aparecem Moisés e Elias. A Montanha alta evoca o Monte Sinai, onde, no passado, Deus tinha manifestado sua vontade ao povo, entregando as tábuas da lei. As vestes brancas lembram Moisés que ficava fulgurante quando conversava com Deus na Montanha e dele recebia a lei (cf. Ex 34,29-35). Elias e Moisés, as duas maiores autoridades do Antigo Testamento, conversam com Jesus. Moisés representa a Lei, Elias, a profecia. Lucas informa que a conversa foi sobre o “êxodo” (a morte) de Jesus em Jerusalém (Lc 9,31). Assim fica claro que, o Antigo Testamento, tanto a Lei como os Profetas, já ensinava que, para o Messias, o caminho da glória tinha de passar pela cruz.
*  Mateus 17,4Pedro gostou, mas não entendeu.
Pedro gostou e quis segurar o momento agradável na Montanha. Ele se oferece para construir três tendas. Marcos diz que Pedro estava com medo, sem saber o que estava dizendo (Mc 9,6), e Lucas acrescenta que os discípulos estavam com sono (Lc 9,32). Eles são como nós: têm dificuldade para entender a Cruz!
*  Mateus 17,5-8 A voz do céu esclarece os fatos.  
Enquanto Jesus é envolvido pela glória, uma voz do céu diz: "Este é o meu Filho amado, que muito me agrada. Escutem o que ele diz". A expressão “Filho amado” evoca a figura do Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaías (cf. Is 42,1). A expressão “Escutem o que ele diz” evoca a profecia que prometia a chegada de um novo Moisés (cf. Dt 18,15). Em Jesus, as profecias do AT estão se realizando. Os discípulos já não podem duvidar. Jesus é realmente o Messias glorioso e o caminho para a glória passa pela cruz, conforme tinha sido anunciado na profecia do Messias Servo (Is 53,3-9). A glória da Transfiguração o comprova. Moisés e Elias o confirmam. O Pai o garante. Jesus o aceita. Diante de tudo que estava acontecendo os discípulos ficam com muito medo e caíram com o rosto por terra. Jesus se aproxima, toca neles e diz: "Levantem-se, e não tenham medo." Os discípulos levantam os olhos e vêem só Jesus e ninguém mais. Daqui para a frente, Jesus é a única revelação de Deus para nós! Jesus, e só ele, é a chave para podermos entender a Escritura e a Vida.
4. Mateus 17,9Saber guardar o silêncio.
Jesus pedia aos discípulos para não dizer nada a ninguém até que ele tivesse ressuscitado dos mortos. Marcos diz que eles não sabiam o que significava ressurreição dos mortos (Mc 9,10). De fato, não entende o significado da Cruz quem não liga o sofrimento com a ressurreição. A Cruz de Jesus é a prova de que a vida é mais forte que a morte. A compreensão plena do seguimento de Jesus não se obtém pela instrução teórica, mas sim pelo compromisso prático, caminhando com ele no caminho do serviço, desde a Galiléia até Jerusalém.

4) Para um confronto pessoal
1. A sua fé em Jesus já proporcionou a você algum momento de transfiguração e de alegria intensa? Como estes momentos de alegria lhe dão força na hora das dificuldades?
2) Como transfigurar, hoje, tanto a vida pessoal e familiar, como a vida comunitária no nosso bairro?

5) Oração final

Na presença do Senhor, fundem-se as montanhas como a cera,
em presença do Senhor de toda a terra.
Os céus anunciam a sua justiça
e todos os povos contemplam a sua glória. (Sl 96, 5-6)

domingo, 2 de fevereiro de 2014

02 de Fevereiro - Apresentação do Senhor


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Pe. Tomaz Hughes SVD

02 de Fevereiro - Apresentação do Senhor

Apresentação do Senhor

Lc 2, 22-40

“Meus olhos viram a tua salvação”    

1) Oração
Deus eterno e todo-poderoso, ouvi as nossas súplicas. Assim como o vosso Filho único, revestido da nossa humanidade, foi hoje apresentado no templo, fazei que nos apresentemos diante de vós com os corações purificados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Evangelho (Lucas 2,22-40)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas
2,22 Concluídos os dias da sua purificação da mãe e do filho, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, 23 conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor; 24 e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos. 25 Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. 26 Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. 27 Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, 28 tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos: 29 Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. 30 Porque os meus olhos viram a vossa salvação 31 que preparastes diante de todos os povos, 32 como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel. 33 Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. 34 Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, 35 a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma. 36 Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. 37 Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. 38 Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação. 39 Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. 40 O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele. Palavra da Salvação.

COMENTÁRIO
Hoje, 02 de Fevereiro, a Igreja celebra a Festa da Apresentação do Menino Jesus no Templo, com um texto do Evangelho de Lucas.  Embora o texto seja bem conhecido, para aprofundar o pensamento de Lucas é bom não somente fixarmos nos eventos relatados, mas ver neles uma releitura de textos importantes do Antigo Testamento.  Como Lucas adaptou o Cântico de Ana (I Sm 2, 1-10) para construir o Magnificat, o Canto de Maria (Lc 1, 46-55), aqui ele usou como fonte a narrativa de Elcana e Ana em I Sm 1-2.  Naquela narrativa o sacerdote idoso Eli aceita a dedicação do filho feita pelo casal no santuário de Silo e abençoe os pais de Samuel.  Lucas expande e aprofunda essas tradições com temas caros a ele: realização de promessa, templo, universalismo, rejeição, testemunho e o papel das mulheres.  O centro teológico do texto se acha em 2,29-32, o Canto de Simeão.
A estrutura do texto é assim: vv. 21-24 formam o contexto para o testemunho duplo de Simeão e Ana em vv. 25-38 e os vv. 39-40 formam a conclusão.
A meta de Lucas é enfatizar a fidelidade dos pais de Jesus à Lei mosaica.  A nova manifestação da salvação de Deus vem dentro dessa fidelidade.  A lei da purificação se encontra em Lv 12, 2-8 (indica-se Lv 12,6 em 2,22 e Lv 12,8 em 2,24).  A Lei referente à consagração do primogênito acha-se em Ex 13,1-2.  Mas em lugar de mencionar a norma que pedia o resgate da criança pelo pagamento de cinco siclos (Nm 3, 47-48. 18, 15-16), Lucas introduz a apresentação de Jesus, o que não era exigência do Antigo Testamento.  Com esse relato ele quer enfatizar o zelo dos pais em assumir a tarefa que Deus lhes confiou.  Vale notar que eles oferecem duas rolas, o que era a oferta permitida aos pobres para a purificação da mãe (Lv 12, 8). Mais uma vez notamos aqui um dos temas preferidos de Lucas, cujo Evangelho é muitas vezes chamado “O Evangelho dos pobres e excluídos”, situando a família de Jesus entre o povo pobre da Palestina.
É também importante notar que, no Canto de Simeão, vv. 29-32, a salvação dos pagãos é anunciada pela primeira vez em Lc.  Ela só será claramente apresentada a partir da revelação pascal em Lc 24,47.
Não é fácil entender o trecho um tanto enigmático de vv. 34 -35, especialmente no que se refere à frase dirigida à Maria “Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma” (v35a). Frequentemente se explica essas palavras como referentes à dor da Maria em testemunhar o sofrimento de Jesus na cruz, (“a mãe dolorosa”) mas, na verdade, o Evangelho de Lucas não fala que Maria estava presente na morte de Jesus (esse relato só que encontra em Jo 19, 25-27).  Provavelmente Lucas quer enfatizar que a missão de Jesus age como uma espada que faz corte radical entre as opções da vida, a semelhança da ação da Palavra de Deus em Hebreus (Hb 4, 12-13), e até Maria tem que fazer essa opção radical por Jesus.  De fato, em Lucas ela é apresentada como discípula-missionária do Senhor!

Então o texto também nos convida para que façamos uma opção definitiva e radical pelo seguimento de Jesus, pois todos nós, desde o nosso batismo, recebemos a vocação de sermos discípulos/as-missiopnários/as de Jesus.