sábado, 13 de setembro de 2014

29 de Setembro - Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

29 de Setembro - Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael


Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael


1) Oração

Ó Deus, que organizais de modo admirável
o serviço dos Anjos e dos homens,
fazei que sejamos protegidos na terra
por aqueles que vos servem no céu.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Jo 1,47-51)

Naquele tempo, 1,47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: "Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade". 48Natanael perguntou: "De onde me conheces?" Jesus respondeu: "Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi". 49Natanael respondeu: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel". 50Jesus disse:  "Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!" 51E Jesus continuou: "Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto  e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem". Palavra da Salvação.

3) Reflexão   João 1, 47-51
*  O evangelho de hoje na festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael traz o diálogo entre Jesus e Natanael, no qual aparece a frase: "Eu lhes garanto: vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem". Esta frase ajuda a esclarecer algo a respeito dos arcanjos, cuja festa hoje celebramos.
*  João 1,47-49: A conversa entre Jesus e Natanael
Foi Filipe que levou Natanael até Jesus (Jo 1,45-46). Natanael tinha exclamado: "De Nazaré pode vir coisa boa?" Natanael era de Caná, que ficava perto de Nazaré. Ao ver Natanael, Jesus diz: "Eis um israelita autêntico, sem falsidade!"  E afirma que já o conhecia quando estava debaixo da figueira. Como é que Natanael podia ser um "israelita autêntico" se ele não aceitava Jesus como messias? Natanael "estava debaixo da figueira". A figueira era o símbolo de Israel (cf. Mq 4,4; Zc 3,10; 1Rs 5,5). "Estar debaixo da figueira" era o mesmo que ser fiel ao projeto do Deus de Israel. Israelita autêntico é aquele que sabe desfazer-se das suas próprias idéias quando percebe que estas estão em desacordo com o projeto de Deus. O israelita que não está disposto a fazer esta conversão não é autêntico nem honesto. Natanael é autêntico. Ele esperava o messias de acordo com o ensinamento oficial da época, conforme o qual o Messias viria de Belém na Judéia. O Messias não podia vir de Nazaré na Galiléia (Jo 7,41-42.52). Por isso, Natanael resistia em aceitar Jesus como messias. Mas o encontro com Jesus ajudou-o a perceber que o projeto de Deus nem sempre é do jeito que a pessoa imagina ou deseja. Natanael reconhece o seu engano, muda de idéia, aceita Jesus como messias e confessa: "Mestre, tu és o filho de Deus, tu és o rei de Israel!"
*  A diversidade do chamado.
Os evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas apresentam o chamado dos primeiros discípulos de maneira muito mais resumida: Jesus passa na praia, chama Pedro e André. Logo depois, chama Tiago e João (Mc 1,16-20). O evangelho de João tem um outro jeito de descrever o início da primeira comunidade que se formou ao redor de Jesus. Ele traz histórias bem mais concretas. O que chama a atenção é a variedade dos chamados e dos encontros das pessoas entre si e com Jesus. Deste modo, João ensina como se deve fazer para iniciar uma comunidade. É através de contatos e convites pessoais, até hoje! A uns, Jesus chamou diretamente (Jo 1,43). A outros, indiretamente (Jo 1,41-42). Num dia, chamou dois discípulos de João Batista (Jo 1,39). No dia seguinte, chamou Filipe que, por sua vez, chamou Natanael (Jo 1,45). Nenhum chamado se repete, porque cada pessoa é diferente. A gente nunca esquece os chamados e encontros importantes que marcam a vida da gente. Lembra até a hora e o dia (Jo 1,39).
*  João 1,50-51: Os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem
A confissão de Natanael é apenas o começo. Quem for fiel, verá o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem. Experimentará que Jesus é a nova ligação entre Deus e nós, seres humanos. É a realização do sonho de Jacó (Gn 28,10-22).
*  Os anjos subindo e descendo a escada
Hoje é a festa dos três arcanjos: Gabriel, Rafael e Miguel. Gabriel explicava ao profeta Daniel o significado das visões (Dn 8,16; 9,21). Foi o mesmo anjo Gabriel que levou a mensagem de Deus a Zacarias (Lc 1,19) e a Maria, a mãe de Jesus (Lc 1,26). Seu nome significa “Deus é forte”. Rafael aparece no livro de Tobias. Ele acompanhou a Tobias, filho de Tobit e Ana, na viagem e o protegeu de todos os perigos. Ajudou Tobias a livrar Sara de um mau espírito e a curar Tobit, o pai, da cegueira. Seu nome significa “Deus cura”. Miguel ajudou o profeta Daniel nas suas lutas e dificuldades (Dn 10,13.21; 12,1). A carta de Judas diz que Miguel disputou com o diabo o corpo de Moisés (Jd 1,9). Foi Miguel que venceu o satanás, derrubando-o do céu e jogando-o no inferno (Ap 12,7). Seu nome significa “Quem é como Deus!” A palavra anjo significa mensageiro. Ele traz uma mensagem de Deus. Na Bíblia, a natureza inteira pode ser mensageira de Deus, revelando o amor de Deus por nós (Sl 104,4). O anjo pode ser o próprio Deus, enquanto volta a sua face para nós e nos revela a sua presença amorosa.

4) Para um confronto pessoal
1. Você já teve um encontro marcante na sua vida? Como foi que descobriu a chamada de Deus aí dentro?
2. Você já se interessou alguma vez, como Filipe, em chamar uma outra pessoa para participar da comunidade?

5) Oração final

Eu vos louvarei de todo o coração, Senhor,
porque ouvistes as minhas palavras.
Na presença dos anjos eu vos cantarei.
Ante vosso santo templo prostrar-me-ei,
e louvarei o vosso nome, pela vossa bondade e fidelidade. (Sl 137, 1-2)




15 de Setembro - Nossa Senhora das Dores


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

15 de Setembro - Nossa Senhora das Dores


Nossa Senhora das Dores


1) Oração

Ó Deus, quando o vosso Filho foi exaltado,
quisestes que sua Mãe estivesse ao pé, junto à cruz, sofrendo com ele.
Dai à vossa Igreja, unida a Maria na paixão de Cristo,
participar da ressurreição do Senhor.
Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Jo 19,25-27)

Naquele tempo, 25Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. 27Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.

3) Reflexão   João 19,25-27
*  Hoje, festa de Nossa Senhora das Dores, o evangelho do dia traz a passagem em que Maria, a mãe de Jesus, e o discípulo amado se encontram no calvário diante da Cruz. A Mãe de Jesus aparece duas vezes no evangelho de João: no começo, nas bodas de Caná (Jo 2,1-5), e no fim, ao pé da Cruz (Jo 19,25-27). Estes dois episódios, exclusivos do evangelho de João, têm um valor simbólico muito profundo. O evangelho de João, comparado com os outros três evangelhos é como quem tira raio-X onde os outros três só tiram fotografia. O raio-X da fé ajuda a descobrir dimensões nos acontecimentos que os olhos comuns não chegam a perceber. O evangelho de João, além de descrever os fatos, revela a dimensão simbólica que neles existe. Assim, nos dois casos, em Caná e na Cruz, a Mãe de Jesus representa simbolicamente o Antigo Testamento que aguarda a chegada do Novo Testamento e, nos dois casos, ela contribui para que o Novo chegue. Maria aparece como o elo entre o que havia antes e o que virá depois. Em Caná, ela simboliza o AT, percebe os limites do Antigo e toma a iniciativa para que o Novo possa chegar. Ela vai falar ao Filho: “Eles não tem mais vinho!” (Jo 2,3). E no Calvário? Vejamos:
*  João 19, 25: As mulheres e o Discípulo Amado junto à Cruz
Assim diz o Evangelho: “A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz”. A “fotografia” mostra a mãe junto do filho, em pé. Mulher forte, que não se deixa abater. “Stabat Mater Dolorosa!” Ela é uma presença silenciosa que apóia o filho na sua entrega até à morte, e morte de cruz (Flp 2,8). Além disso, o “raio-X” da fé mostra como se realiza a passagem do AT para o NT. Como em Caná, a Mãe de Jesus representa o AT. O Discípulo Amado representa o NT, a comunidade que cresceu ao redor de Jesus. É o filho que nasceu do AT, a nova humanidade que se forma a partir da vivência do Evangelho do Reino. No fim do primeiro século, alguns cristãos achavam que o AT já não era necessário. De fato, no começo do segundo século, Márcion recusou todo o AT e ficou só com uma parte do NT. Por isso, muitos queriam saber qual a vontade de Jesus a este respeito.
*  João 19,26-28 : O Testamento ou a Vontade de Jesus
As palavras de Jesus são significativas. Vendo sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: "Mulher, eis aí o seu filho." Depois disse ao discípulo: "Eis aí a sua mãe." Os Antigo e o Novo Testamento devem caminhar juntos. A pedido de Jesus, o discípulo amado, o filho, o NT, recebe a Mãe, o AT, em sua casa. É na casa do Discípulo Amado, na comunidade cristã, que se descobre o sentido pleno do AT. O Novo não se entende sem o Antigo, nem o Antigo é completo sem o Novo. Santo Agostinho dizia: “Novum in vetere latet, Vetus in Novo patet”. (O Novo está escondido no Antigo. O Antigo desabrocha no Novo). O Novo sem o Antigo seria um prédio sem fundamento. E o Antigo sem o Novo seria uma árvore frutífera que não chegou a dar fruto.
*  Maria no Novo Testamento 
De Maria se fala pouco no NT, e ela mesma fala menos ainda. Maria é a Mãe do silêncio. A Bíblia conservou apenas sete palavras de Maria. Cada uma destas sete palavras é como uma janela que permite olhar para dentro da casa de Maria e descobrir como ela se relacionava com Deus. A chave para entender tudo isso é dada por Lucas nesta frase: “Felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática." (Lc 11,27-28)
1ª Palavra: "Como pode ser isso se eu não conheço homem algum!" (Lc 1,34)
2ª Palavra: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra!" (Lc 1,38)
3ª Palavra: "Minha alma louva o Senhor, exulta meu espírito em Deus meu Salvador!" (Lc 1,46-55)
4ª Palavra: "Meu filho porque nos fez isso? Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos" (Lc 2,48)
5º Palavra: "Eles não tem mais vinho!" (Jo 2,3)
6ª Palavra: "Fazei tudo o que ele vos disser!" (Jo 2,5)
7ª Palavra:  O silêncio ao pé da Cruz, mais eloqüente que mil palavras! (Jo 19,25-27)


4) Para um confronto pessoal

1) Maria ao pé da Cruz. Mulher forte, silenciosa. Como é minha devoção a Maria, a mãe de Jesus?
2) Na Pietà de Miguelangelo, Maria aparece bem jovem, mais jovem que o próprio filho crucificado, quando já devia ter no mínimo em torno de 50 anos. Perguntado porque tinha esculpido o rosto da Maria tão jovem, Miguelangelo respondeu: “As pessoas apaixonadas por Deus não envelhecem nunca”. Apaixonada por Deus! Existe paixão por Deus em mim?

5) Oração final

Quão grande é, Senhor, vossa bondade,
que reservastes para os que vos temem
e com que tratais aos que se refugiam em vós,
aos olhos de todos. (Sl 30,20)


9 de Agosto - Santa Teresa Benedita da Cruz


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

9 de Agosto - Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)


Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)


1) Oração

Senhor Deus de nossos pais, fazei abundar em nós a sabedoria da Cruz, com a qual, admiravelmente, enriquecestes Santa Teresa Benedita, na hora do martírio. Concedei-nos, por sua  intercessão, que constantemente vos procuremos, Suma verdade, e guardemos fielmente, até a morte, a eterna aliança de amor, selada no sangue de vosso Filho, para a salvação de todos os homens. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 25, 1-13)
 Naquele tempo, disse Jesus, a seus discípulos, esta parábola: 25,1'O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6No meio da noite, ouviu-se um grito: `O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!' 7Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8As imprevidentes disseram às previdentes: `Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando.' 9As previdentes responderam: `De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores'. 10Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: `Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!' 12Ele, porém, respondeu: `Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!' 13Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora. Palavra da Salvação.

(Outra tradução – usada por Frei Carlos para os comentários)
1 "Naquele dia, o Reino do Céu será como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo.
2 Cinco delas não tinham juízo, e as outras cinco eram prudentes.
3 Aquelas sem juízo pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo.
4 As prudentes, porém, levaram vasilhas com óleo, junto com as lâmpadas.
5 O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormiram.
6 No meio da noite, ouviu-se um grito: 'O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro'.
7 Então as dez virgens se levantaram, e prepararam as lâmpadas.
8 Aquelas que eram sem juízo disseram às prudentes: 'Dêem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando'.
9 As prudentes responderam: 'De modo nenhum, porque o óleo pode faltar para nós e para vocês. É melhor vocês irem aos vendedores e comprar'. 
10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou.
11 Por fim, chegaram também as outras virgens, e disseram: 'Senhor, Senhor, abre a porta para nós'. 
12 Ele, porém, respondeu: 'Eu garanto a vocês que não as conheço'.
13 Portanto, fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora.")

3) Reflexão   Mateus 25,1-13
*  Hoje é a festa de Santa Edith Stein que no Carmelo assumiu o nome de Tereza Benedita da Cruz. Por isso, o evangelho de hoje traz a parábola das dez virgens que deviam dar as boas vindas ao noivo quando chegasse para a festa do casamento.
Mateus 25,1ª: O começo: “Naquele dia”
A parábola começa com estas duas palavras: “Naquele dia”. Trata-se do dia da vinda do Filho do Homem (cf Mt 24,37). Ninguém sabe quando virá esse dia, “nem os anjos do céu, nem mesmo o filho, mas somente o Pai” (Mt 24, 36). Não adianta os adivinhos quererem fazer cálculos. O Filho do Homem virá de surpresa, quando a gente menos espera (Mt 24,44). Pode ser hoje, pode ser amanhã. Por isso, o recado final da parábola das dez virgens é “Vigiai!’ As dez moças devem estar preparadas para qualquer eventualidade. Quando a polícia nazista bateu na porta do mosteiro das irmãs Carmelitas em Echt na província de Limbúrgia nos Países Baixos, Edith Stein, a irmã Tereza Benedita da Cruz, estava preparada. Assumiu a Cruz e foi eles para o martírio no campo de extermínio por amor a Deus e ao seu povo. Ela era uma das virgens prudentes da parábola.
Mateus 25,1b-4: As dez virgens escaladas para aguardar o noivo
A parábola começa assim: O Reino do Céu é como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo”.Trata-se das moças que deviam acompanhar o noivo para a festa do casamento. Para isto, elas deviam levar consigo as lâmpadas, sejam para iluminar o caminho, seja para abrilhantar a festa. Cinco delas eram previdentes e cinco não tinham juízo. Esta diferença transparece na maneira de elas se prepararem para a função que receberam. Junto com as lâmpadas acesas, as previdentes levaram consigo também uma vasilha com óleo de reserva. Elas se preparavam para qualquer eventualidade. As sem juízo só levaram as lâmpadas e não pensaram em levar consigo um pouco de óleo de reserva.
Mateus 25,5-7: A demora não prevista da chegada do noivo
O noivo estava demorando. Não havia hora marcada para ele chegar. Enquanto esperam, as dez moças são vencidas pelo sono. Enquanto isso, as lâmpadas acesas continuam gastando o óleo e vão se apagando aos poucos. De repente, no meio da noite, se ouve o grito: O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro”.  Todas elas despertam e começam a preparar as lâmpadas que já estavam quase no fim. Deviam colocar óleo de reserva para evitar que as lâmpadas se apagassem.
Mateus 25,8-9: As reações diferentes diante da chegada atrasada do noivo
É só agora que as sem juízo se deram conta de que esqueceram de levar consigo óleo de reserva. Foram pedir às prudentes: “Dêem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando”.  As prudentes não puderam atender ao pedido delas, pois naquela hora o que importava não era as prudentes partilharem o seu óleo com as outras, mas sim elas estarem prontas para acompanhar o noivo até o lugar da festa. Por isso aconselharam: É melhor vocês irem aos vendedores e comprar.
Mateus 25,10-12: O destino das moças prudentes e das sem juízo
As sem juízo seguiram o conselho das prudentes e foram comprar óleo. Foi nesta breve ausência da compra que o noivo chegou e que as prudentes puderam acompanha-lo e entrar com ele para a festa do casamento. E a porta se fechou atrás delas. Quando as outras chegaram, bateram na porta e pediram: “Senhor, Senhor, abre a porta para nós!” E receberam a resposta: “Eu garanto a vocês que não as conheço”
Mateus 25,13: A recomendação final de Jesus para todos nós
A história desta parábola é muito simples e a lição é evidente: “Fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora”. Moral da história: não seja superficial, olhe para além do momento presente, procure descobrir o apelo de Deus até nas mínimas coisas da vida, até mesmo no óleo que pode falta na lamparina.’

4) Para um confronto pessoal
1) Já aconteceu você esquecer de pensar no óleo de reserva para a sua lamparina?
2) Conhece a vida de Santa Edith Stein, Teresa Benedita da Cruz?

5) Oração final

Bendirei o SENHOR em todo tempo,
seu louvor estará sempre na minha boca.
Eu me glorio no SENHOR,
ouçam os humildes e se alegrem. (Sl 33, 2-3)




14 de Setembro - EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Pe.  Tomaz Hughes, SVD

14 de Setembro - EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


Exaltação da Santa Cruz


1) Oração



Ó Deus, que, para salvar a todos, dispusestes que o vosso Filho morresse na cruz, a nós, que conhecemos na terra esse mistério, dai-nos colher no céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Evangelho - Jo 3,13-17

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 3,13"Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado,  15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele". Palavra da Salvação.

COMENTÁRIO


Essa festa litúrgica tem destaque maior nas Igrejas do Oriente, onde é comparada com a Festa de Páscoa. A sua celebração tem as suas origens ligadas à dedicação das basílicas constantinianas construídas nos lugares tradicionalmente identificados com Calvário e o Santo Sepulcro.
O título “Exaltação da Santa Cruz” chama a atenção, pois destaca o grande paradoxo da nossa fé - foi exatamente através da Cruz, o mais terrível entre os suplícios, que veio a salvação. Humanamente falando, a morte de Jesus na cruz significava o fracasso total da sua vida e missão, mas, de fato, escondia a vitória de Deus sobre o mal, da vida sobre a morte, da graça sobre o pecado - uma vitória que se manifestaria ao terceiro dia, na Ressurreição. No mistério pascal da vida-morte-ressurreição de Jesus verifica-se o que proclama Paulo na Primeira Carta aos Coríntios: “Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante.” (1Cor 1, 27s).
Torna-se muito importante resgatar uma sadia teologia e espiritualidade da Cruz. De um lado temos que superar uma pregação errada que identificava a Cruz com qualquer sofrimento, como se o sofrimento em si fosse um valor positivo. Quantas pessoas sofreram injustiças a vida toda, aguentando situações quase insuportáveis, por causa de tal pregação que levava à passividade diante das injustiças e opressões. No fundo, faziam de Deus um sádico! Do outro lado, na sociedade de hoje, a Cruz não está muito popular, pois o sacrifício, a autodoação em favor de outros, está na contramão da sociedade hedonista e consumista. Até dentro da Igreja muitas vezes há uma busca da Ressurreição e vitória, sem que se mencione que o triunfo de Jesus veio através de uma vida de doação que o levou à cruz - e como consequência dessa coerência, à Ressurreição.
A festa de hoje celebra a Cruz, não o sofrimento. Jesus não nos salvou porque sofreu três horas na cruz - ele nos salvou porque a sua vida foi totalmente fiel à vontade do Pai. Por causa dessa fidelidade, as suas opções concretas o colocaram em conflito com as estruturas de dominação sócio-político-religiosas, o que causou o seu assassinato judicial. A morte de Jesus foi muito mais do que uma tentativa de eliminar alguém que incomodasse! Era tentativa de aniquilar o seu movimento, a sua pregação, a visão de Deus e do projeto de Deus que Ele ensinava. A Cruz então se tornava o símbolo de doação total através de uma vida de fidelidade absoluta ao projeto do Pai. Era o último passo de coerência, consequência lógica da fidelidade à vontade de Deus.
Assim, Jesus deixa bem claro nas páginas dos Evangelhos que a Cruz é a característica do discípulo/a. “Se alguém quer me seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga.” (Mc 8, 24). Jesus não nos convida a buscar o sofrimento, mas a carregar a cruz - consequência de uma religião que é vivencial, que acarreta ações e atitudes coerentes com o Deus em que acreditamos, e que traz em seu bojo as sementes de conflito com todo poder opressor, pois “os meus projetos não são os projetos de vocês, e os caminhos de vocês não são os meus caminhos” (Is 55, 8).
Paulo descobriu que pregar Cristo sem a Cruz era esvaziar a evangelização. Assim declara à comunidade de Corinto: “Entre vocês eu não quis saber outra coisa a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado.”(1Cor 2, 2). A Cruz de Cristo é inseparável da sua vida, pois é a consequência dela. Mas, a Cruz também não se separa da Ressurreição, pois ela é o resultado de tal coerência e fidelidade. A festa de hoje nos desafia para que respondamos ao convite de Jesus para carregar a nossa cruz numa vida de discipulado e missionariedade, continuando a sua missão ao mundo. Pois, como diz o nosso texto hoje, “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele” (Jo 3, 17)

 Salmo - Sl 77(78),1-2.34-35.36-37.38 (R. cf. 7c)


R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!


77,1Escuta, ó meu povo, a minha Lei,*
  ouve atento as palavras que eu te digo;

2abrirei a minha boca em parábolas,*
  os mistérios do passado lembrarei.

R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!


34Quando os feria, eles então o procuravam,*
   convertiam-se correndo para ele;

35recordavam que o Senhor é sua rocha*
   e que Deus, seu Redentor, é o Deus Altíssimo.

R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!


36Mas apenas o honravam com seus lábios*
   e mentiam ao Senhor com suas línguas;

37seus corações enganadores eram falsos*
   e, infiéis, eles rompiam a Aliança.

R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!


38Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo,*
   não os matava e perdoava seu pecado;
   quantas vezes dominou a sua ira*
   e não deu largas à vazão de seu furo.

R. Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!





domingo, 7 de setembro de 2014

08 de Setembro - NATIVIDADE DE NOSSA SENHORA


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

08 de Setembro - Natividade  de Nossa Senhora


Natividade de Nossa Senhora


1) Oração



Abri, ó Deus, para os vossos servos e servas os tesouros da vossa graça: e assim como a maternidade de Maria foi a aurora da salvação, a festa do seu nascimento aumente em nós a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 1,1-16.18-23)

1Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. Farés gerou Esron. Esron gerou Arão. 4Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou Booz, de Raab. Booz gerou Obed, de Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi. 6O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias. 7Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa. 8Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias. 9Ozias gerou Joatão. Joatão gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias. 10Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amon. Amon gerou Josias. 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no cativeiro de Babilônia. 12E, depois do cativeiro de Babilônia, Jeconias gerou Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel. 13Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliacim. Eliacim gerou Azor. 14Azor gerou Sadoc. Sadoc gerou Aquim. Aquim gerou Eliud. 15Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. 16Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. 18Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. 19José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. 20Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. 22Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: 23Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.

3) Reflexão   Mateus 1,1-16.18-23
*  Hoje, 8 de setembro, festa da Natividade de Nossa Senhora, o evangelho traz a genealogia ou a carteira de identidade de Jesus. Por meio de uma lista de nomes dos antepassados, o evangelista conta para as comunidades quem é Jesus e como Deus agiu de modo surpreendente para cumprir nele a sua promessa. As nossas carteiras de identidade têm o nosso nome e o nome dos nossos pais. Algumas pessoas, para dizer quem são, lembram também os nomes dos avôs e avós. Outras, têm vergonha de alguns antepassados da sua família, e se escondem atrás de aparências que enganam. A carteira de identidade de Jesus tem muitos nomes. Na lista destes nomes há uma grande novidade. Naquele tempo, as genealogias traziam somente os nomes dos homens. Por isso, surpreende o fato de Mateus colocar cinco mulheres entre os antepassados de Jesus: Tamar, Raab, Rute, a mulher de Urias e Maria. Por que ele escolheu precisamente estas cinco mulheres, e não outras? Esta é a pergunta que o evangelho de Mateus deixa na nossa cabeça.
Mateus 1,1-17: A longa lista dos nomes – o começo e o fim da genealogia
No começo e no final da genealogia, Mateus deixa claro qual é a identidade de Jesus: ele é o Messias, filho de Davi e filho de Abraão. Como descendente de Davi, Jesus é a resposta de Deus às expectativas do povo judeu (2 Sm 7,12-16). Como descendente de Abraão, ele é uma fonte de bênção e de esperança para todas as nações da terra (Gn 12,13). Assim, tanto os judeus como os pagãos que faziam parte das comunidades da Síria e da Palestina na época de Mateus, ambos podiam ver suas esperanças realizadas em Jesus.
Ao elaborar a lista dos antepassados de Jesus, Mateus adotou um esquema de 3 x 14 gerações (Mt 1,17). O número 3 é o número da divindade. O número 14 é duas vezes 7, que é o número da perfeição. Naquele tempo, era comum interpretar ou calcular a ação de Deus através de números e datas. Por meio destes cálculos simbólicos, Mateus revela a presença de Deus ao longo das gerações e exprime a convicção das comunidades de que Jesus apareceu no tempo estabelecido por Deus. Com a sua chegada a história alcançou o seu pleno cumprimento.
*  A mensagem das cinco mulheres citadas na genealogia
Jesus é a resposta de Deus às expectativas tanto de judeus como de pagãos, sim, mas o é de uma forma totalmente surpreendente. Nas histórias das quatro mulheres do AT, citadas na genealogia, existe algo de anormal. As quatro eram estrangeiras, conceberam seus filhos fora dos padrões normais do comportamento da época e não satisfaziam às exigências das leis da pureza do tempo de Jesus. Tamar, uma cananéia, viúva, se vestiu de prostituta para obrigar Judá a ser fiel à lei e dar-lhe um filho (Gn 38,1-30).  Raab , uma cananéia, prostituta de Jericó, fez aliança com os israelitas. Ajudou-os a entrar na Terra Prometida e professou a fé no Deus libertador do Êxodo (Js 2,1-21).  Betsabea, uma hitita, mulher de Urias, foi seduzida, violentada e engravidada pelo rei Davi, que, além disso, mandou matar o marido dela (2 Sm 11,1-27).  Rute , uma moabita, viúva pobre, optou para ficar com Noemi e aderiu ao Povo de Deus (Rt 1,16-18). Aconselhada pela sogra Noemi, Rute imitou Tamar e passou a noite na eira, junto com  Booz, forçando-o a observar a lei e dar-lhe um filho. Da relação entre os dois nasceu Obed, o avô do rei Davi (Rt 3,1-15;4,13-17). Estas quatro mulheres questionam os padrões de comportamento impostos pela sociedade patriarcal. Mesmo assim, suas iniciativas pouco convencionais deram continuidade à linhagem de Jesus e trouxeram a salvação de Deus para todo o povo. Foi através delas que Deus realizou seu plano e enviou o Messias prometido. Realmente, o jeito de agir de Deus surpreende e faz pensar! No fim, o leitor ou a leitora fica com a pergunta: “E Maria? Existe nela também alguma irregularidade nela? Qual?” A resposta é dada na história de São José que segue no texto (Mt 1,18-23).
Mateus 1,18-23: São José era justo
A irregularidade em Maria é que ela ficou grávida antes de conviver com José, seu prometido esposo, que era justo. Jesus disse: “Se a justiça de vocês não for maior que a justiça dos fariseus e escribas, não vão poder entrar no Reino dos céus”. Se José tivesse sido justo conforme a justiça dos fariseus, ele deveria ter denunciado Maria e ela teria sido apedrejada. Jesus teria morrido. Graças à verdadeira justiça de José, Jesus pôde nascer.

4) Para um confronto pessoal
1. Quando me apresento aos outros, o que digo de mim mesmo e da minha família?
2. Se o evangelista coloca apenas estas cinco mulheres ao lado de mais de quarenta homens, ele, sem dúvida, quer comunicar uma mensagem. Qual é esta mensagem? O que tudo isto nos diz sobre a identidade de Jesus? E o que diz sobre nós mesmos?

5) Oração final

Que todas as tuas obras te louvem, Senhor,
e te bendigam os teus fiéis.
Proclamem a glória do teu reino
e falem do teu poder. (Sl 144, 10-11)