sábado, 13 de setembro de 2014

11 de Junho - São Barnabé


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

11 de Junho - São Barnabé


São Barnabé


1) Oração

Ó Deus, que designastes são Barnabé, cheio de fé e do Espírito Santo, para converter as nações, fazei que a vossa Igreja anuncie por palavras e atos o Evangelho de Cristo que ele proclamou intrepidamente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 10, 7-13)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 10,7"Em vosso caminho, anunciai: `O Reino dos Céus está próximo'. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! 9Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento. 11Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida. 12Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Palavra da Salvação.

3) Reflexão - Mt 10, 7-13
*  Hoje é festa de S. Barnabé. O evangelho fala das instruções de Jesus aos discípulos sobre como anunciar a Boa Nova do Reino às “ovelhas perdidas de Israel” (Mt 10,6). Eles devem: 1. curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios (v.8); 2. anunciar de graça aquilo que de graça receberam (v.8); 3. não levar ouro, nem sandálias, nem bastão, nem sacola, nem sapatos, nem duas túnicas (v.9); 4. procurar uma casa onde possam ficar hospedados até terminar a missão (v.11); 5. ser portadores de paz (v.13).
*  No tempo de Jesus havia vários movimentos que, como Jesus, buscavam uma nova maneira de viver e conviver, por exemplo, João Batista, os fariseus, essênios e outros. Muitos deles também formavam comunidades de discípulos (Jo 1,35; Lc 11,1; At 19,3) e tinham seus missionários (Mt 23,15). Mas havia uma grande diferença! Os fariseus, por exemplo, quando iam em missão, iam prevenidos. Achavam que não podiam confiar na comida do povo que nem sempre era ritualmente “pura”. Por isso, levavam sacola e dinheiro para poder cuidar da sua própria comida. Assim, as observâncias da Lei da pureza, em vez de ajudar a superar as divisões, enfraqueciam ainda mais a vivência dos valores comunitários. A proposta de Jesus é diferente. O método dele transparece nos conselhos que ele dá aos apóstolos quando os envia em missão. Por meio das instruções, ele procura renovar e reorganizar as comunidades da Galiléia para que sejam novamente uma expressão da Aliança, uma amostra do Reino de Deus. Vejamos:
*  Mateus 10,7: O anúncio da proximidade do Reino.
Jesus envia os discípulos para anunciar a Boa Nova. Eles devem dizer: “O Reino dos céus está próximo!” Em que consiste esta proximidade? Não significa a proximidade no tempo no sentido de que basta aguardar mais um pouco de tempo e em breve o Reino vai aparecer. “O Reino está próximo” significa que ele já está ao alcance do povo, já “está no meio de vocês” (Lc 17,21). É preciso adquirir um novo olhar para poder perceber a sua presença ou proximidade. A vinda do Reino não é fruto da nossa observância, como queriam os fariseus, mas ele se faz presente, gratuitamente, nas ações que Jesus recomenda aos apóstolos: curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios.
*  Mateus 10,8: Curar, ressuscitar, purificar, expulsar
Doentes, mortos, leprosos, possessos eram os excluídos da convivência, e eles eram excluídos em nome de Deus. Não podiam participar da vida comunitária. Jesus manda que estas pessoas excluídas sejam acolhidas, incluídas. É nestes gestos de acolhida e de inclusão dos excluídos que o Reino de Deus se faz presente. Pois nestes gestos de gratuidade humana transparece o amor gratuito de Deus que reconstrói a convivência humano e refaz os relacionamentos inter-pessoais.
*  Mateus 10,9-10: Não levar nada
Ao contrário dos outros missionários, os apóstolos não podem levar nada: “Não levem nos cintos moedas de ouro, de prata ou de cobre; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão, porque o operário tem direito ao seu alimento”. A única coisa que podem e devem levar é a Paz (Mt 10,13). Isto significa que devem confiar na hospitalidade e na partilha do povo. Pois o discípulo que vai sem nada levando apenas a paz, mostra que confia no povo. Acredita que vai ser recebido, e o povo se sente provocado, valorizado, respeitado e confirmado. O operário tem direito ao seu alimento. Por meio desta prática o discípulo critica as leis de exclusão e resgata os antigos valores da partilha e da convivência comunitária.
*  Mateus 10,11-13: Conviver e integrar-se na comunidade
Chegando num lugar os discípulos devem escolher uma casa de paz e lá devem permanecer até o fim. Não devem passar de casa em casa, mas conviver de maneira estável. Devem fazer-se membros da comunidade e trabalhar pela paz, isto é, pela reconstrução dos relacionamentos humanos que favorece a Paz. Por meio desta prática, eles resgatam uma antiga tradição do povo, criticam a cultura de acumulação que marcava a política do Império Romano e anunciam um novo modelo de convivência.
*  Resumindo: as ações recomendadas por Jesus para o anúncio do Reino são estas: acolher os excluídos, confiar na hospitalidade, provocar a partilha, conviver de modo estável e de maneira pacífica. Se isto acontecer, então podem e devem gritar aos quatro ventos: O Reino chegou!  Anunciar o Reino não é em primeiro lugar ensinar verdades e doutrinas, catecismo ou direito canônico, mas é levar as pessoas a uma nova maneira de viver e de conviver, a um novo jeito de agir e de pensar a partir da Boa Notícia, trazida por Jesus, de que Deus é Pai/Mãe e de que, portanto, todos somos irmãos e irmãs.

4) Para um confronto pessoal
1) Por que todas estas atitudes recomendadas por Jesus são sinal da chegada do Reino de Deus?
2) Como realizar hoje aquilo que Jesus pede: “não levar bolsa”, “não passar de casa em casa”?

5) Oração final

Cantai ao Senhor um cântico novo,
porque ele operou maravilhas.
Sua mão e seu santo braço lhe deram a vitória.. (Sl 97, 1)



4 de Outubro - São Francisco de Assis


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

4 de Outubro - São Francisco de Assis


1) Oração

Ó Deus, que fizestes São Francisco de Assis assemelhar-se ao Cristo
por uma vida de humildade e pobreza,
concedei que, trilhando o mesmo caminho,
sigamos fielmente o vosso Filho,
unindo-nos fielmente na perfeita alegria.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  - Mateus 11,25-30

Naquele tempo, 11,25Jesus pôs-se a dizer:  'Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,  porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos  e as revelaste aos pequeninos.  26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.  27Tudo me foi entregue por meu Pai,  e ninguém conhece o Filho, senão o Pai,  e ninguém conhece o Pai, senão o Filho  e aquele a quem o Filho o quiser revelar.  28Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Palavra da Salvação.

3) Reflexão   Mateus 11,25-30
*  Hoje, festa de São Francisco, o evangelho mostra a ternura com que Jesus acolhia os pequenos. Ele queria que os pobres encontrassem descanso e paz. Por causa disso, Jesus foi muito criticado e perseguido. Sofreu muito! O mesmo acontece hoje. Os pobres não recebem da parte dos cristãos a mesma ternura que, naquele tempo, recebiam de Jesus. Por exemplo, todo o continente africano, o mais pobre de todos, é abandonado pelos países ricos da Europa e da América do Norte que se dizem cristãos.
O contexto em que aparece este texto no capítulo 11 do evangelho de Mateus é esclarecedor. Nele transparece a contradição que a ação de Jesus ia provocando. João Batista, que olhava Jesus com os olhos do passado, não conseguiu entendê-lo (Mt 11,1-15). O povo, que olhava para Jesus com finalidade interesseira, não foi capaz de entendê-lo (Mt 11,16-19). As grandes cidades ao redor do lago, que ouviram a pregação de Jesus e viram seus milagres, não quiseram abrir-se para a sua mensagem (Mt 11,20-24). Os sábios e doutores, que julgavam tudo a partir da sua própria ciência, não foram capazes de entender a pregação de Jesus (Mt 11,25). Nem os parentes o entendem (Mt 12,46-50). Só os pequenos o entendem e aceitam a Boa Nova do Reino (Mt 11,25-30).
*  Mateus 11,25-26: Só os pequenos o entendem e aceitam a Boa Nova do Reino
Jesus faz uma prece: "Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado!” Os sábios, os doutores daquela época, tinham criado uma série de leis que eles impunham ao povo em nome de Deus. Eles achavam que Deus exigia do povo estas observâncias. Eles mesmos não as observavam (Mt 23,4). A lei do amor, trazida por Jesus, dizia o contrário. O que importa, não é o que nós fazemos para Deus, mas sim o que Deus, no seu grande amor, faz por nós! Eles observam a lei não para merecer a salvação, mas para agradecer o amor que recebem de Deus. O povo entendia a fala de Jesus e ficava alegre. Os sábios achavam que Jesus estava errado. Eles não podiam entender tal ensinamento.
*  Mateus 11,27: A origem da nova Lei: O Filho conhece o Pai.
Jesus, o Filho, conhece o Pai. Ele sabe o que o Pai queria quando, séculos atrás, entregou a Lei a Moisés. Aquilo que o Pai nos tem a dizer, Ele o entregou a Jesus, e Jesus o revela aos pequenos, porque estes se abrem para a sua mensagem. Hoje também, Jesus está ensinando muita coisa aos pobres e pequenos. Os sábios e inteligentes fazem bem em fazer-se alunos dos pequenos! Não é Deus que despreza ou exclui os sábios, mas são eles mesmos que se fecham diante da mensagem de Jesus.
*  Mateus 11,28-30: .
Jesus convida a todos  que estão cansados para vir até ele e promete descanso. É o povo que vive cansado debaixo do peso dos impostos e das observâncias exigidas pelas leis de pureza. E ele diz: “Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração”. Muitas vezes, esta frase foi manipulada para pedir ao povo submissão, mansidão e passividade. O que Jesus quer dizer é o contrário. Ele pede que o povo deixe de lado os professores de religião da época e comece a aprender dele, de Jesus, que é "manso e humilde de coração". Jesus não faz como os escribas que se exaltam de sua ciência, mas é como o povo que vive humilhado e explorado. Jesus, o novo mestre, sabe por experiência o que se passa no coração do povo e o que o povo sofre.
O jeito de Jesus realizar o Sermão da Missão
Uma paixão se revela no jeito de Jesus anunciar a Boa Nova do Reino. Paixão pelo Pai e pelo povo pobre e abandonado. Onde encontra gente para escutá-lo, Jesus transmite a Boa Nova. Em qualquer lugar. Nas sinagogas durante a celebração da Palavra (Mt 4,23). Nas casas de amigos (Mt 13,36). Andando pelo caminho com os discípulos (Mt 12,1-8). Ao longo do mar, à beira da praia, sentado num barco (Mt 13,1-3). Na montanha, de onde proclama as bem-aventurança (Mt 5,1). Nas praças das aldeias e cidades, onde o povo carrega seus doentes (Mt 14,34-36). Mesmo no Templo  de Jerusalém, durante as romarias (Mt 26,55)! Em Jesus, tudo é revelação daquilo que o anima por dentro! Ele não só anuncia a Boa Nova do Reino. Ele mesmo é uma amostra viva do Reino. Nele aparece aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar e tomar conta de sua vida.


4) Para um confronto pessoal
1. Para você, a comunidade é fonte de paz ou de tensão? O que causa a tensão e o que traz a paz? Qual o fardo que hoje cansa o povo e qual o fardo que hoje alivia o povo?
2. Na primeira parte (vv.25-27), Jesus fala ao Pai. Quais os motivos que levam Jesus a dar louvor ao Pai? Como e quando você louva o Pai?

5) Oração final

Bendigo o Senhor que me aconselhou;
mesmo de noite meu coração me instrui.
Sempre coloco à minha frente o Senhor,
ele está à minha direita, não vacilo. (Sl 15, 7-8)



29 de Setembro - Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

29 de Setembro - Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael


Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael


1) Oração

Ó Deus, que organizais de modo admirável
o serviço dos Anjos e dos homens,
fazei que sejamos protegidos na terra
por aqueles que vos servem no céu.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Jo 1,47-51)

Naquele tempo, 1,47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: "Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade". 48Natanael perguntou: "De onde me conheces?" Jesus respondeu: "Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi". 49Natanael respondeu: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel". 50Jesus disse:  "Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!" 51E Jesus continuou: "Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto  e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem". Palavra da Salvação.

3) Reflexão   João 1, 47-51
*  O evangelho de hoje na festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael traz o diálogo entre Jesus e Natanael, no qual aparece a frase: "Eu lhes garanto: vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem". Esta frase ajuda a esclarecer algo a respeito dos arcanjos, cuja festa hoje celebramos.
*  João 1,47-49: A conversa entre Jesus e Natanael
Foi Filipe que levou Natanael até Jesus (Jo 1,45-46). Natanael tinha exclamado: "De Nazaré pode vir coisa boa?" Natanael era de Caná, que ficava perto de Nazaré. Ao ver Natanael, Jesus diz: "Eis um israelita autêntico, sem falsidade!"  E afirma que já o conhecia quando estava debaixo da figueira. Como é que Natanael podia ser um "israelita autêntico" se ele não aceitava Jesus como messias? Natanael "estava debaixo da figueira". A figueira era o símbolo de Israel (cf. Mq 4,4; Zc 3,10; 1Rs 5,5). "Estar debaixo da figueira" era o mesmo que ser fiel ao projeto do Deus de Israel. Israelita autêntico é aquele que sabe desfazer-se das suas próprias idéias quando percebe que estas estão em desacordo com o projeto de Deus. O israelita que não está disposto a fazer esta conversão não é autêntico nem honesto. Natanael é autêntico. Ele esperava o messias de acordo com o ensinamento oficial da época, conforme o qual o Messias viria de Belém na Judéia. O Messias não podia vir de Nazaré na Galiléia (Jo 7,41-42.52). Por isso, Natanael resistia em aceitar Jesus como messias. Mas o encontro com Jesus ajudou-o a perceber que o projeto de Deus nem sempre é do jeito que a pessoa imagina ou deseja. Natanael reconhece o seu engano, muda de idéia, aceita Jesus como messias e confessa: "Mestre, tu és o filho de Deus, tu és o rei de Israel!"
*  A diversidade do chamado.
Os evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas apresentam o chamado dos primeiros discípulos de maneira muito mais resumida: Jesus passa na praia, chama Pedro e André. Logo depois, chama Tiago e João (Mc 1,16-20). O evangelho de João tem um outro jeito de descrever o início da primeira comunidade que se formou ao redor de Jesus. Ele traz histórias bem mais concretas. O que chama a atenção é a variedade dos chamados e dos encontros das pessoas entre si e com Jesus. Deste modo, João ensina como se deve fazer para iniciar uma comunidade. É através de contatos e convites pessoais, até hoje! A uns, Jesus chamou diretamente (Jo 1,43). A outros, indiretamente (Jo 1,41-42). Num dia, chamou dois discípulos de João Batista (Jo 1,39). No dia seguinte, chamou Filipe que, por sua vez, chamou Natanael (Jo 1,45). Nenhum chamado se repete, porque cada pessoa é diferente. A gente nunca esquece os chamados e encontros importantes que marcam a vida da gente. Lembra até a hora e o dia (Jo 1,39).
*  João 1,50-51: Os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem
A confissão de Natanael é apenas o começo. Quem for fiel, verá o céu aberto e os anjos subindo e descendo sobre o Filho do Homem. Experimentará que Jesus é a nova ligação entre Deus e nós, seres humanos. É a realização do sonho de Jacó (Gn 28,10-22).
*  Os anjos subindo e descendo a escada
Hoje é a festa dos três arcanjos: Gabriel, Rafael e Miguel. Gabriel explicava ao profeta Daniel o significado das visões (Dn 8,16; 9,21). Foi o mesmo anjo Gabriel que levou a mensagem de Deus a Zacarias (Lc 1,19) e a Maria, a mãe de Jesus (Lc 1,26). Seu nome significa “Deus é forte”. Rafael aparece no livro de Tobias. Ele acompanhou a Tobias, filho de Tobit e Ana, na viagem e o protegeu de todos os perigos. Ajudou Tobias a livrar Sara de um mau espírito e a curar Tobit, o pai, da cegueira. Seu nome significa “Deus cura”. Miguel ajudou o profeta Daniel nas suas lutas e dificuldades (Dn 10,13.21; 12,1). A carta de Judas diz que Miguel disputou com o diabo o corpo de Moisés (Jd 1,9). Foi Miguel que venceu o satanás, derrubando-o do céu e jogando-o no inferno (Ap 12,7). Seu nome significa “Quem é como Deus!” A palavra anjo significa mensageiro. Ele traz uma mensagem de Deus. Na Bíblia, a natureza inteira pode ser mensageira de Deus, revelando o amor de Deus por nós (Sl 104,4). O anjo pode ser o próprio Deus, enquanto volta a sua face para nós e nos revela a sua presença amorosa.

4) Para um confronto pessoal
1. Você já teve um encontro marcante na sua vida? Como foi que descobriu a chamada de Deus aí dentro?
2. Você já se interessou alguma vez, como Filipe, em chamar uma outra pessoa para participar da comunidade?

5) Oração final

Eu vos louvarei de todo o coração, Senhor,
porque ouvistes as minhas palavras.
Na presença dos anjos eu vos cantarei.
Ante vosso santo templo prostrar-me-ei,
e louvarei o vosso nome, pela vossa bondade e fidelidade. (Sl 137, 1-2)




15 de Setembro - Nossa Senhora das Dores


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

15 de Setembro - Nossa Senhora das Dores


Nossa Senhora das Dores


1) Oração

Ó Deus, quando o vosso Filho foi exaltado,
quisestes que sua Mãe estivesse ao pé, junto à cruz, sofrendo com ele.
Dai à vossa Igreja, unida a Maria na paixão de Cristo,
participar da ressurreição do Senhor.
Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Jo 19,25-27)

Naquele tempo, 25Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. 27Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.

3) Reflexão   João 19,25-27
*  Hoje, festa de Nossa Senhora das Dores, o evangelho do dia traz a passagem em que Maria, a mãe de Jesus, e o discípulo amado se encontram no calvário diante da Cruz. A Mãe de Jesus aparece duas vezes no evangelho de João: no começo, nas bodas de Caná (Jo 2,1-5), e no fim, ao pé da Cruz (Jo 19,25-27). Estes dois episódios, exclusivos do evangelho de João, têm um valor simbólico muito profundo. O evangelho de João, comparado com os outros três evangelhos é como quem tira raio-X onde os outros três só tiram fotografia. O raio-X da fé ajuda a descobrir dimensões nos acontecimentos que os olhos comuns não chegam a perceber. O evangelho de João, além de descrever os fatos, revela a dimensão simbólica que neles existe. Assim, nos dois casos, em Caná e na Cruz, a Mãe de Jesus representa simbolicamente o Antigo Testamento que aguarda a chegada do Novo Testamento e, nos dois casos, ela contribui para que o Novo chegue. Maria aparece como o elo entre o que havia antes e o que virá depois. Em Caná, ela simboliza o AT, percebe os limites do Antigo e toma a iniciativa para que o Novo possa chegar. Ela vai falar ao Filho: “Eles não tem mais vinho!” (Jo 2,3). E no Calvário? Vejamos:
*  João 19, 25: As mulheres e o Discípulo Amado junto à Cruz
Assim diz o Evangelho: “A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz”. A “fotografia” mostra a mãe junto do filho, em pé. Mulher forte, que não se deixa abater. “Stabat Mater Dolorosa!” Ela é uma presença silenciosa que apóia o filho na sua entrega até à morte, e morte de cruz (Flp 2,8). Além disso, o “raio-X” da fé mostra como se realiza a passagem do AT para o NT. Como em Caná, a Mãe de Jesus representa o AT. O Discípulo Amado representa o NT, a comunidade que cresceu ao redor de Jesus. É o filho que nasceu do AT, a nova humanidade que se forma a partir da vivência do Evangelho do Reino. No fim do primeiro século, alguns cristãos achavam que o AT já não era necessário. De fato, no começo do segundo século, Márcion recusou todo o AT e ficou só com uma parte do NT. Por isso, muitos queriam saber qual a vontade de Jesus a este respeito.
*  João 19,26-28 : O Testamento ou a Vontade de Jesus
As palavras de Jesus são significativas. Vendo sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: "Mulher, eis aí o seu filho." Depois disse ao discípulo: "Eis aí a sua mãe." Os Antigo e o Novo Testamento devem caminhar juntos. A pedido de Jesus, o discípulo amado, o filho, o NT, recebe a Mãe, o AT, em sua casa. É na casa do Discípulo Amado, na comunidade cristã, que se descobre o sentido pleno do AT. O Novo não se entende sem o Antigo, nem o Antigo é completo sem o Novo. Santo Agostinho dizia: “Novum in vetere latet, Vetus in Novo patet”. (O Novo está escondido no Antigo. O Antigo desabrocha no Novo). O Novo sem o Antigo seria um prédio sem fundamento. E o Antigo sem o Novo seria uma árvore frutífera que não chegou a dar fruto.
*  Maria no Novo Testamento 
De Maria se fala pouco no NT, e ela mesma fala menos ainda. Maria é a Mãe do silêncio. A Bíblia conservou apenas sete palavras de Maria. Cada uma destas sete palavras é como uma janela que permite olhar para dentro da casa de Maria e descobrir como ela se relacionava com Deus. A chave para entender tudo isso é dada por Lucas nesta frase: “Felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática." (Lc 11,27-28)
1ª Palavra: "Como pode ser isso se eu não conheço homem algum!" (Lc 1,34)
2ª Palavra: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra!" (Lc 1,38)
3ª Palavra: "Minha alma louva o Senhor, exulta meu espírito em Deus meu Salvador!" (Lc 1,46-55)
4ª Palavra: "Meu filho porque nos fez isso? Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos" (Lc 2,48)
5º Palavra: "Eles não tem mais vinho!" (Jo 2,3)
6ª Palavra: "Fazei tudo o que ele vos disser!" (Jo 2,5)
7ª Palavra:  O silêncio ao pé da Cruz, mais eloqüente que mil palavras! (Jo 19,25-27)


4) Para um confronto pessoal

1) Maria ao pé da Cruz. Mulher forte, silenciosa. Como é minha devoção a Maria, a mãe de Jesus?
2) Na Pietà de Miguelangelo, Maria aparece bem jovem, mais jovem que o próprio filho crucificado, quando já devia ter no mínimo em torno de 50 anos. Perguntado porque tinha esculpido o rosto da Maria tão jovem, Miguelangelo respondeu: “As pessoas apaixonadas por Deus não envelhecem nunca”. Apaixonada por Deus! Existe paixão por Deus em mim?

5) Oração final

Quão grande é, Senhor, vossa bondade,
que reservastes para os que vos temem
e com que tratais aos que se refugiam em vós,
aos olhos de todos. (Sl 30,20)


9 de Agosto - Santa Teresa Benedita da Cruz


REZANDO COM O EVANGELHO DO DIA

(LECTIO DIVINA)

Frei Carlos Mesters, O.Carm.

9 de Agosto - Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)


Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)


1) Oração

Senhor Deus de nossos pais, fazei abundar em nós a sabedoria da Cruz, com a qual, admiravelmente, enriquecestes Santa Teresa Benedita, na hora do martírio. Concedei-nos, por sua  intercessão, que constantemente vos procuremos, Suma verdade, e guardemos fielmente, até a morte, a eterna aliança de amor, selada no sangue de vosso Filho, para a salvação de todos os homens. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

2) Leitura do Evangelho  (Mateus 25, 1-13)
 Naquele tempo, disse Jesus, a seus discípulos, esta parábola: 25,1'O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6No meio da noite, ouviu-se um grito: `O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!' 7Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8As imprevidentes disseram às previdentes: `Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando.' 9As previdentes responderam: `De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores'. 10Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: `Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!' 12Ele, porém, respondeu: `Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!' 13Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora. Palavra da Salvação.

(Outra tradução – usada por Frei Carlos para os comentários)
1 "Naquele dia, o Reino do Céu será como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo.
2 Cinco delas não tinham juízo, e as outras cinco eram prudentes.
3 Aquelas sem juízo pegaram suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo.
4 As prudentes, porém, levaram vasilhas com óleo, junto com as lâmpadas.
5 O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormiram.
6 No meio da noite, ouviu-se um grito: 'O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro'.
7 Então as dez virgens se levantaram, e prepararam as lâmpadas.
8 Aquelas que eram sem juízo disseram às prudentes: 'Dêem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando'.
9 As prudentes responderam: 'De modo nenhum, porque o óleo pode faltar para nós e para vocês. É melhor vocês irem aos vendedores e comprar'. 
10 Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou.
11 Por fim, chegaram também as outras virgens, e disseram: 'Senhor, Senhor, abre a porta para nós'. 
12 Ele, porém, respondeu: 'Eu garanto a vocês que não as conheço'.
13 Portanto, fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora.")

3) Reflexão   Mateus 25,1-13
*  Hoje é a festa de Santa Edith Stein que no Carmelo assumiu o nome de Tereza Benedita da Cruz. Por isso, o evangelho de hoje traz a parábola das dez virgens que deviam dar as boas vindas ao noivo quando chegasse para a festa do casamento.
Mateus 25,1ª: O começo: “Naquele dia”
A parábola começa com estas duas palavras: “Naquele dia”. Trata-se do dia da vinda do Filho do Homem (cf Mt 24,37). Ninguém sabe quando virá esse dia, “nem os anjos do céu, nem mesmo o filho, mas somente o Pai” (Mt 24, 36). Não adianta os adivinhos quererem fazer cálculos. O Filho do Homem virá de surpresa, quando a gente menos espera (Mt 24,44). Pode ser hoje, pode ser amanhã. Por isso, o recado final da parábola das dez virgens é “Vigiai!’ As dez moças devem estar preparadas para qualquer eventualidade. Quando a polícia nazista bateu na porta do mosteiro das irmãs Carmelitas em Echt na província de Limbúrgia nos Países Baixos, Edith Stein, a irmã Tereza Benedita da Cruz, estava preparada. Assumiu a Cruz e foi eles para o martírio no campo de extermínio por amor a Deus e ao seu povo. Ela era uma das virgens prudentes da parábola.
Mateus 25,1b-4: As dez virgens escaladas para aguardar o noivo
A parábola começa assim: O Reino do Céu é como dez virgens que pegaram suas lâmpadas de óleo, e saíram ao encontro do noivo”.Trata-se das moças que deviam acompanhar o noivo para a festa do casamento. Para isto, elas deviam levar consigo as lâmpadas, sejam para iluminar o caminho, seja para abrilhantar a festa. Cinco delas eram previdentes e cinco não tinham juízo. Esta diferença transparece na maneira de elas se prepararem para a função que receberam. Junto com as lâmpadas acesas, as previdentes levaram consigo também uma vasilha com óleo de reserva. Elas se preparavam para qualquer eventualidade. As sem juízo só levaram as lâmpadas e não pensaram em levar consigo um pouco de óleo de reserva.
Mateus 25,5-7: A demora não prevista da chegada do noivo
O noivo estava demorando. Não havia hora marcada para ele chegar. Enquanto esperam, as dez moças são vencidas pelo sono. Enquanto isso, as lâmpadas acesas continuam gastando o óleo e vão se apagando aos poucos. De repente, no meio da noite, se ouve o grito: O noivo está chegando. Saiam ao seu encontro”.  Todas elas despertam e começam a preparar as lâmpadas que já estavam quase no fim. Deviam colocar óleo de reserva para evitar que as lâmpadas se apagassem.
Mateus 25,8-9: As reações diferentes diante da chegada atrasada do noivo
É só agora que as sem juízo se deram conta de que esqueceram de levar consigo óleo de reserva. Foram pedir às prudentes: “Dêem um pouco de óleo para nós, porque nossas lâmpadas estão se apagando”.  As prudentes não puderam atender ao pedido delas, pois naquela hora o que importava não era as prudentes partilharem o seu óleo com as outras, mas sim elas estarem prontas para acompanhar o noivo até o lugar da festa. Por isso aconselharam: É melhor vocês irem aos vendedores e comprar.
Mateus 25,10-12: O destino das moças prudentes e das sem juízo
As sem juízo seguiram o conselho das prudentes e foram comprar óleo. Foi nesta breve ausência da compra que o noivo chegou e que as prudentes puderam acompanha-lo e entrar com ele para a festa do casamento. E a porta se fechou atrás delas. Quando as outras chegaram, bateram na porta e pediram: “Senhor, Senhor, abre a porta para nós!” E receberam a resposta: “Eu garanto a vocês que não as conheço”
Mateus 25,13: A recomendação final de Jesus para todos nós
A história desta parábola é muito simples e a lição é evidente: “Fiquem vigiando, pois vocês não sabem qual será o dia, nem a hora”. Moral da história: não seja superficial, olhe para além do momento presente, procure descobrir o apelo de Deus até nas mínimas coisas da vida, até mesmo no óleo que pode falta na lamparina.’

4) Para um confronto pessoal
1) Já aconteceu você esquecer de pensar no óleo de reserva para a sua lamparina?
2) Conhece a vida de Santa Edith Stein, Teresa Benedita da Cruz?

5) Oração final

Bendirei o SENHOR em todo tempo,
seu louvor estará sempre na minha boca.
Eu me glorio no SENHOR,
ouçam os humildes e se alegrem. (Sl 33, 2-3)